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NOVAS TÁTICAS DE GUERRA E SUAS CONSEQUÊNCIAS NA AMÉRICA LATINA

AMIG@S, ESTE BLOG ESTÁ SENDO TRANSPORTADO PARA UM NOVO ENDEREÇO:

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Por agência Carta Maior:

A IV Frota em ação


O problema que as nações da AL enfrentam é que as catástrofes naturais serão uma moeda de troca corrente nas próximas décadas. Isso é apenas o começo. A IV Frota será o braço militar melhor preparado para intervenções “humanitárias” em situações de emergência. O Haiti é o primeiro capítulo de uma nova série pautada pelo posicionamento militar dos EUA em toda a região. O artigo é de Raul Zibechi.



• Uma Rádio Solidariedade para o Haiti


• Via Campesina no Brasil pede a Lula apoio para o Haiti


• Pouco a pouco, a imprensa vai abandonando o Haiti

 

Segundo as primeiras estimativas, o número de corpos enterrados sem identificação em uma vala comum na pequena cidade de Macarena pode chegar a 2 mil. Segundo relato de moradores, desde 2005, o exército colombiano teria depositado ali centenas de cadáveres sem identificação. Seria o maior sepultamento de vítimas de um conflito de que se tem notícia no continente. Exército diz que os corpos são de guerrilheiros mortos, mas população da região relata desaparecimento de muitos líderes sociais, camponeses e comunitários.
30/01/2010

 

 

"A crise é deles mas as soluções são nossas"


Susan George repetiu em Salvador o alerta lançado em Porto Alegre: não basta enfrentar a atual crise do capital sem lidar com a degradação do meio ambiente, a grave escassez de comida e as desigualdades sociais. A depressão econômica, disse, está diretamente ligada a múltiplas crises que se agravam nos campos ecológico e social. Na mesma linha, David Harvey afirmou que, mesmo com a crise, um novo processo de acumulação de capital está sendo gerado, que pode fortalecer o atual modelo e levar a uma nova crise ainda pior. A única saída, afirma Susan, é afirmar que “a crise é deles, mas as soluções são nossas”.


30/01/2010

 




Adital -

Organizações e entidades da sociedade civil, de vários países se empenham para enviar ajuda humanitária ao Haiti. Durante as atividades do Fórum Social Mundial (FSM) temático que aconteceu, neste final de semana, em Salvador, capital da Bahia, no nordeste brasileiro, a Coordenação Nacional de Lutas, Conlutas, reforçou a proposta de ajuda ao povo haitiano.


Quem quiser contribuir com a Campanha "Solidariedade sim. Ocupação não" da Conlutas, em favor do Haiti, pode fazer um depósito de qualquer valor na conta que foi aberta especialmente para a causa. Um extrato detalhado será posteriormente disponibilizado para conferência das arrecadações e depósito para a Batay Ouvriye.


Banco do Brasil
Favorecido: Coordenação Haiti
Agência: 4223-4
Conta Corrente: 8844-7






O presidente boliviano, Evo Morales, denunciou nesta quarta-feira , 3 de fevereiro de 2010, a presença de bases militares extranjeiras na região como uma ameaça real à soberania dos povos.

No ato de inalguração do curso acadêmico das forças armadas, na zona sul de La Paz, o presidente da Bolívia acinalou que diante dessa nova ofenciva do império se necessita elevar a dignidade dos bolivianos e suas forças sociais.

Nesse sentido, chamou à construir uma nova doutrina militar em meio de ataques externos, em alusão aos EUA, sob o pretesto de luta contra o terrorismo e o narcotráfico.

 





Escrito por João Martins às 09h40
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AINDA SOBRE O HAITI, AMÉRICA LATINA, BRASIL E RIO DE JANEIRO

Cartoon de Martirena.
















Para compreender os antecedentes políticos sobre o Haiti:

 Para conseguir alimentos los haitianos deben esperar horas y luchar entre sí.(Foto: Efe)

HAITI TRAS ARISTIDE (EL ESPEJO HAITIANO) - documentário de 48min.


Fora com todas as tropas estrangeiras do Haiti

por Renato Nucci Junior

Membro do Comitê Central do PCB. 26/Jan/10  Campinas


"A presença da Minustah, a partir de 2004, acentuou no Haiti a condição de nação sob permanenteestado de intervenção externa. Sob comando operacional dos militares brasileiros, a justificativa para uma nova intervenção estrangeira era a de restabelecer a ordem e reconstruir a infra-estrutura do país. Porém, em quase seis anos de ocupação, os níveis de miséria e pobreza não foram revertidos. Nenhuma escola ou hospital foi construído. Os termos da missão de paz da ONU definem que o orçamento da Minustah só pode ser gasto nas operações destinadas a manter a ordem pública e a segurança interna. Em junho de 2009, as mobilizações populares em apoio a um projeto aprovado na Câmara dos Deputados e no Senado que reajustava o salário mínimo de 70 para 200 gourdas (1 dólar equivale a 42 gourdas), foram duramente reprimidas pelas tropas da Minustah.

O PAPEL VERGONHOSO DO BRASIL

Com papel tão limitado, o governo e as tropas brasileiras, além de usarem a missão no Haiti para assegurar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, também fazem do país, nas palavras de um coronel da Brabatt (Batalhão Brasileiro da Minustah), um laboratório para os militares brasileiros aprenderem a como conter uma possível rebelião nas favelas cariocas. Mas o papel vergonhoso do Brasil não se resume em transformar o Haiti e seu povo em um grande campo de treinamento para oprimir o próprio povo brasileiro. Interesses econômicos de capitalistas tupiniquins estão por trás da presença do Brasil na "missão de paz" da ONU no Haiti. Além da OAS, que ganhou uma licitação de US$ 145 milhões para construir uma rodovia, a Coteminas, maior empresa de cama, mesa e banho do mundo e cujo proprietário é o vice presidente José Alencar, negocia com as autoridades da Minustah a instalação de uma planta no país. Sua produção seria exportada para os Estados Unidos, com quem o Haiti tem um acordo de livre comércio. Uma das vantagens oferecidas pelo Haiti seria o salário dos trabalhadores, pois uma costureira em Porto Príncipe recebe US$ 0,50 por hora, muito abaixo dos US$ 3,27 pagos para a mesma profissional no Brasil. É o melhor dos mundos para qualquer capitalista: a exploração mais desbragada é garantida pela força das armas, tudo em nome da reconstrução do país."



Cartoon de Poderiu.

A politica da administração Obama ameaça a humanidade

por Miguel Urbano Rodrigues

"Recentes iniciativas do Governo dos EUA confirmam que a actual Administração, longe de renunciar a uma estratégia de dominação mundial, se propõe a ampliá-la em múltiplas frentes.

Aquilo que parecia impossível há um ano está a acontecer: a política externa de Obama é mais agressiva e perigosa para a Ásia, África e América Latina do que a de George Bush. Mas essa realidade não se tornou ainda evidente para as grandes maiorias, influenciadas pela campanha de âmbito mundial que apresenta o presidente dos EUA como um político progressista e um defensor da paz.
Os actos desmentem-lhe, porém, as promessas e a oratória.
Os media ocidentais dedicam atenção mínima a iniciativas que se integram na expansão planetária do militarismo estado-unidense. Mas esse silêncio não impede que ela seja uma realidade."

20/Janeiro/2010/Vila Nova de Gaia





 

Começa Fórum Social 10 anos: Grande Porto Alegre

Articulado para ser um espaço de balanço de uma década de encontro e marcado pela presença de cidades da região metropolitana da capital gaúcha, o Fórum Social 10 anos: Grande Porto Alegre aguarda a presença de chefes de estado como Lula, Evo Morales, Pepe Mujica e Fernando Lugo. Cerca de mil pessoas participaram da abertura do evento, nesta segunda-feira, na usina do Gasômetro. Presidente Lula falará aos participantes do Fórum nesta terça-feira (Fotos: Eduardo Seidl).




 Diosdado Cabello,anunció que cableras deben sacar de su parrilla, canales que incumplan con las leyes venezolanas.(Foto:teleSUR)


"Seis estaciones televisivas por suscripción incumplieron con la Ley de Responsabilidad Social para Radio y Televisión venezolana, lo que generó el rechazo por parte de la Cancillería francesa. El Gobierno venezolano exhorta a la nación europea a rectificar por sus declaraciones. Los canales suspendidos podrán volver a operar cuando cumplan con la normativa local". Acompanhe por TELESUL

A imprensa brasileira, mais uma vez, desinforma, tal qual fez com o novo plano nacional de direitos humanos em relação às linhas editoriais que o violarem, reivindicando manter o monopólio da informação e a mordaça, alegando direito de expressão.

Só se for direito à mentira, pois esta é a única expressão que revelam quando seus interesses corporativos não prevalecem.

 

ARTIGOS AFINS:

A grande mídia unida contra a democracia



Escrito por João Martins às 16h38
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FONTES ALTERNATIVAS PARA INFORMAÇÕES SOBRE O HAITI E DIREITOS HUMANOS NO BRASIL


Palácio Presidencial.




A "AJUDA" DELES AO HAITI  - (por www.resistir.info)
O director-geral do FMI acaba de anunciar a sua intenção de mobilizar uma "ajuda" de 100 milhões de dólares para o Haiti. Diz ele que isso será feito através de uma "facilidade ampliada de crédito" . Ou seja, os haitianos terão de devolver tal ajuda, mesmo que estejam debaixo de escombros. E devolver com juros. Com ajudas assim, os haitianos ficam ainda mais desgraçados do que já estavam.

Por outro lado, o controle do aeroporto de Port-au-Prince pela U.S. Air Force já está a prejudicar severamente o Haiti. Os militares americanos proibiram a aterragem de um avião francês que transportava um hospital de campanha e dez equipes de cirurgiões . A ocupação militar do país pelo imperialismo, sob o pretexto da "ajuda humanitária", já é uma situação de facto. Os EUA que não souberam ajudar o seu próprio povo, quando o furacão Katrina devastou Nova Orleans, arrogam-se agora ao direito de enviar porta-aviões como "ajuda" às vítimas no Haiti. Após um terramoto, uma ocupação militar.
HAITI: "PACTO COM O DIABO"
O racismo acaba de atingir profundidades nunca imaginadas pelo conde Gobineau. O reverendo Pat Robertson, um fanático da extrema-direita estado-unidense, acaba de dar a sua "explicação" para o terramoto que assolou o Haiti. Diz ele que se trata de um castigo divino pelo facto de 200 anos atrás os escravos haitianos terem-se rebelado e libertado dos seus amos franceses. O vídeo com a entrevista deste "teólogo" encontra-se aqui .
Adenda: Verifica-se que a estupidez é contagiosa. O bispo espanhol José Ignacio Munilla minimiza a catástrofe. Assevera ele que "há males maiores que o do Haiti, como a nossa situação espiritual" (sic). A notícia encontra-se aqui .


ARTIGOS AFINS:


A verdade acerca do sofrimento do Haiti , por Finian Cunningham, 15/Jan








Os pecados do Haiti , por Eduardo Galeano, 19/Jan








Lançamento_da_terceira_edição_do_Programa_Nacional_de_Direitos_Humanos_Roosewelt_Pinheiro_ABr
Direitos Humanos A história verdadeira e justa Programa do governo federal contempla entidades de direitos humanos e causa revolta entre militares, mídia e agronegócio - Por Jornal Brasil de Fato.




ARTIGOS AFINS (POR CARTA MAIOR):







ENQUANTO ISSO, NO RIO DE JANEIRO...


Paz sem voz é medo

Por Marcelo Salles, 12.01.2010

Um ano depois de sua implantação, a Unidade de Polícia Pacificadora do Santa Marta ainda é vista com desconfiança pelos moradores da favela. A maioria não quis dar entrevista. Socióloga enxerga tentativa de controle social por parte do governo…

 

MEU COMENTÁRIO AO ARTIGO DE MARCELO SALLES EM SEU BLOG:

Em 18/01/2010 às 16:36

"Caro companheiro Marcelo Salles,

penso que também O HAITI É AQUI. veja o depoimento deste investigador da universidade de Campinas, Otávio Calegari Jorge, sobre a missão de estabilização do Haiti feita por militares brasileiros, declarada pelo coronel Bernardes do principal batalhão brasileiro da Minustah (United Nations Stabilization Mission in Haiti) “Quando questionado sobre o interesse militar brasileiro na ocupação haitiana, o coronel Bernardes não titubeou: o Haiti, sem dúvida, serve de laboratório (exatamente, laboratório) para os militares brasileiros conterem as rebeliões nas favelas cariocas. Infelizmente isto é o melhor que podemos fazer a este país”.

A declaração pode ser lida aqui – http://www.resistir.info/a_central/haiti_laboratorio.html

Grande abraço".

 

OUTROS ARTIGOS AFINS:

Cartoon de Martirena.

 

HAITI E A MILITARIZAÇÃO NOSSA DE CADA DIA

Por Sandra Quintela  22/01/2010

 

Acerca do sub-imperialismo brasileiro
Haiti: o que é imperialismo e o que é sub-imperialismo

por Duarte Pereira 20/01/2010



Escrito por João Martins às 14h41
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BALANÇOS E PERSPECTIVAS

Clique a imagem para encomendar fotos premiadas do MST.



Escrito por João Martins às 20h39
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Restos del gobernador de Caquetá fueron trasladados a Bogotá. (Foto:Efe)

Restos del gobernador colombiano asesinado serán sepultados esta tarde

Los restos del gobernador del departamento colombiano de Caquetá, Luis Francisco Cuéllar, que fue secuestrado y posteriormente asesinado, serán sepultados esta tarde en Bogotá, ciudad a la que fueron trasladados en un cortejo fúnebre proveniente desde Florencia, la capital de la entidad que gobernaba.

 

 

 

Cadáver de Cuéllar estava cravado de balas e cercado por explosivos

 

 

BOGOTÁ - O corpo do governador da província colombiana de Caquetá, Luis Francisco Cuéllar, sequestrado na noite de segunda-feira (21), foi encontrado crivado de balas nesta terça (22), informaram as autoridades regionais.

 

Segundo a governadora interina de Caquetá, Olga Patricia Vega, o ministro da Defesa, Gabriel Silva, "lhe comunicou a morte pessoalmente, por telefone". "Já não temos dúvidas de que as Farc voltaram a atacar", disse Vega à Rádio Caracol.

 

O corpo de Cuéllar foi encontrado por camponeses "próximo ao local onde está um veículo incinerado utilizado no sequestro" do governador, revelou o site do jornal El Tiempo. O cadáver estava a cerca de 15 quilômetros ao Sul de Florencia (capital de Caquetá), com impactos de bala e cercado de explosivos, destacou o site.

 

Segundo o noticiário CM&, o corpo não pôde ser removido imediatamente pelo Exército por estar preso a vários explosivos, em uma zona minada pelos rebeldes. O governador tinha sido capturado na segunda-feira, em um ataque das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) contra sua residência em Florencia.

 

Os guerrilheiros lançaram uma granada contra a casa do governador, e após troca de tiros com os seguranças de Cuéllar, levaram o político. O confronto matou um policial. Fontes afirmam que o grupo que atacou a casa do governador tinha de 15 a 18 homens. Atualmente, as FARC mantêm sequestrados 24 militares e policiais, alguns com mais de 10 anos de cativeiro. A meta é trocar pelo menos 22 deles por 500 rebeldes presos.

 

Saudação de fim de ano , por FARC-EP, 05/Jan



Escrito por João Martins às 03h14
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PRESIDENTE DEPOSTO POR GOLPE DE ESTADO EM HONDURAS CONVOCA RESISTÊNCIA BELIGERANTE



"Carta enviada por el Presidente de Honduras, José Manuel Zelaya a la Resistencia




PRESIDENCIA DE LA REPUBLICA DE HONDURAS
 
 
DEL ESCRITORIO DEL
SEÑOR PRESIDENTE
 
Tegucigalpa, 07 de Diciembre de 2009.
 
 
 
 
LA RESISTENCIA ES LA NUEVA FUERZA BELIGERANTE EN HONDURAS
           
            Debe constituirse en una plataforma de coordinación política
 
Ser el eje para coordinar y aglutinar las fuerzas políticas progresistas, que sin perder su propia identidad, logren cumplir el objetivo de las trasformaciones y cambios para el pueblo Hondureño.
 
La Resistencia es la esperanza para tener una nueva Constitución instalando una Asamblea Nacional Constituyente.
 
 
Compañeras(os) miembros de la Resistencia Nacional contra el Golpe de Estado
 
 
A continuación con especial aprecio me dirijo a ustedes para agradecerles su
labor en la resistencia, esperando que mis ideas le sean de utilidad en sus reflexiones en este momento tan difícil que vive nuestro pueblo, el cual me ha acompañado y respaldado en mi lucha de más de 30 años por la democracia y la justicia social para Honduras.
 
A 163 días de Resistencia contra el golpe de estado militar donde fui secuestrado y me desterraron a Costa Rica, soportando igual que ustedes, dolor y sufrimiento por el pueblo, con 78 días de ataques contra nosotros, en este cerco militar en la sede diplomática de Brasil, soportando con mi familia y los amigos que me acompañan la persecución política, ustedes en las calles, sufriendo la más cruel represión, masacres, asesinatos torturas, persecución política, detenciones arbitrarias, por alzar la voz de protesta contra la dictadura al exigir de manera pacífica pero firme la restitución del Presidente que eligió el pueblo, el retorno a la democracia, Así como las   sanciones contra los que usurparon el poder.
 
 
 Compañeras (os); que no nos engañen con la farsa y la trampa que realizaron el pasado 29 de noviembre en Honduras no hay democracia, se institucionalizó el golpe de estado, no hay separación de poderes y se mantiene la impunidad de las instituciones co-autoras del golpe de estado: Corte de Justicia, Fiscal del Estado, Comisionado de los Derechos Humanos, las cúpulas de Partidos Políticos en el Congreso, y las castas militares. 
 
 
Las elecciones tuteladas por la dictadura no son válidas, tienen vicios de nacimiento, sin observadores calificados, bajo represión, sin garantías de igualdad ni libertad para los opositores al régimen de facto, censura y cierre de medios con un abstencionismo de más del 60 %.
 
Porfirio Lobo con un 40% del pueblo surgió de un fraude electoral, es ilegitimo, es ilegal y su Presidencia sumamente débil, tal como lo demostró a las 48 horas de la elección con una rápida alianza con los militares y la dictadura para oponerse en el Congreso al retorno al régimen democrático y del presidente que eligió el pueblo. Así perdió toda legitimidad de su elección.
 
Ahora la alianza golpista Lobo-Micheletti, nos impone paquetazos, devaluarán nuestra moneda, descargando el puño pesado de la represión sobre el pueblo.
 
La resistencia tiene gran misión que cumplir, convertirse en una fuerza beligerante y en una plataforma de coordinación política, ser el eje para coordinar y aglutinar las fuerzas políticas progresistas, que sin perder su propia identidad, obligue a la elite dominante a reconocer que los Hondureños no tenemos amos, que queremos Libertad que todos tenemos derecho a la vida y a vivir en mejores condiciones, Reconocer que todos somos Hondureños y que nuestro país necesita reformas que son imparables.
 
Por lo que la resistencia deberá organizar su plataforma de coordinación política y programas con acciones definidas en cada barrio, cada municipio en todos los departamentos que conforman el territorio nacional, exigir un nuevo pacto social, una nueva constitución en donde el soberano determine las reglas que permitan la solución a los problemas y las transformaciones de Honduras.
 
 
 Llegué a la Presidencia por el Partido Liberal, soy Liberal y lo sigo siendo, practico su verdadera doctrina, opuesta a las dictaduras y a los regimenes militares totalitarios. Los que fraguaron este golpe de estado dejaron de ser liberales y el pueblo los castigó en las urnas. El Partido Nacional jamás se hubiera levantado de la derrota que le propiciamos, para hacerlo tuvieron que asociarse y conspirar con la elite poderosa, con sus ramas internacionalesy los dos poderes del Estado para dar el golpe militar y sacarme del escenario político.
 
 
 La Resistencia es la guía, es la esperanza para retornar al orden democrático, instalando la próxima Asamblea Nacional Constituyente.
 Nuestras armas son las ideas. Nuestra lucha tiene estrategias pacíficas.
No cooperación no violencia y desobediencia civil contra leyes injustas, Nadie debe obediencia a quien asume el poder por las armas.
 
Por el amor al pueblo
Por el amor a los pobres
Por la defensa de nuestra democracia.
No descansaremos hasta derrotar la dictadura.
 
 
José Manuel Zelaya Rosales

Presidente Constitucional de la República de Honduras"

 

FONTE:MOVIMENTO DE RESISTÊNCIA HONDURENHO                                                                                    http://www.movimientos.org/honduras/show_text.php3?key=16437



Escrito por João Martins às 01h05
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GOLPE E CONTRAGOLPE EM HONDURAS: AS DIREITAS ESPERNEIAM NA AMÉRICA DO SUL

 

Honduras: uma tripla luta de alcance mundial

O retorno do presidente Manuel Zelaya a Honduras e o apoio que recebeu do governo brasileiro colocam vários cenários em movimento na região. Além de elevar a tensão do conflito interno hondurenho, a iniciativa expõe a disputa entre o Brasil e a maioria dos governos latinoamericanos, por um lado, e o Departamento de Estado dos EUA e o Pentágono, por outro. E a terceira frente de conflito se dá entre a extrema direita norte-americana e o governo do presidente Barack Obama. A análise é de Guillermo Almeyra.

O retorno a Tegucigalgpa do presidente Manuel Zelaya eleva, com um único golpe, o conflito entre a maioria do povo hondurenho e a oligarquia golpista desse país e, além disso, a disputa entre o Brasil e a maioria dos governos latinoamericanos, por um lado, e o Departamento de Estado e o Pentágono (que apóiam os golpistas), por outro, assim como entre esse governo paralelo do establishment estadunidense (formado por essas duas instituições e apoiado por todos os ultradiretistas, sejam estes do Partido Democrata ou do Republicano) e o presidente Barack Obama.

É obvio que Zelaya não poderia ter cruzado a fronteira (supostamente da Nicarágua, mas poderia ter sido tambem da Guatemala) sem a proteção dos governos desses países (e a conivência ou a cegueira voluntária) de elementos das forças de segurança hondurenhas. É tambem igualmente evidente que o Brasil deu seu consentimento prévio ao ingresso de Zelaya na sua embaixada em Tegucigalpa e que o governo de Lula deu instruções nesse sentido a seu embaixador na OEA e a seu representante na capital hondurenha. O silêncio desconcertado de Hillary Clinton indica também que o Departamento de Estado não esperava essa medida, que o obrigará a tomar posição na OEA diante dos golpistas, enquanto a ultradireita estadunidense responde com fúria. O Washington Post publica na primeira página nada menos que uma foto de Micheletti, o chefe dos golpistas hondurenhos, apoiando assim abertamente os ditadores encurralados.

Todo o panorama na região se moveu graças a esta decisão do presidente legítimo de Honduras e as coisas se colocaram em movimento…

Em primeiro lugar, a ditadura de Micheletti e Cia. enfrentará agora um recrudescimento do protesto e da mobilização popular que repudiam e desafiam o toque de recolher dos gorilas e podem levar inclusive a explosões insurrecionais isoladas. É previsivel que as instituições se dividam. A hierarquia da Igreja Católica, que apoia Micheletti e o golpe militar, enfrenta-se já com padres com forte respaldo popular que apóiam a democracia e exigem o retorno de Zelaya. Na polícia se comprovou que existem setores que não estão dispostos a seguir o Alto Comando militar em sua aventura golpista e o mesmo acontece entre os soldados, enquanto em ambas forças, como o demonstra a selvageria da repressão, há os que são partidarios de liquidar de forma sangrenta o protesto seminsurrecional do povo hondurenho, mas temem o isolamento internacional (e que Obama possa dobrar a resistência dos grandes protetores estadunidenses não suficientemente mascarados dos golpistas de Tegucigalpa).

Se, sob a pressão popular, um setor grande da política ou do exército, para evitar a guerra civil, rechaçasse a escalada da repressão e aceitasse a idéia de um governo de transição, conservador, que encerrasse o mandato de Zelaya limitando totalmente a intervenção presidencial até a realização de eleições presidenciais, o Alto Comando e o governo golpista acabaria na prisão ou no exílio.

Um parte importante da burguesia comercial hondurenha, com o apoio da OEA e até, eventualmente, de um Departamento de Estado obrigado a mudar de política sacrificando os militares, poderia apoiar essa saída para evitar a guerra civil e para romper o isolamento e o bloqueio internacionais que afetam duramente a sua economia. O próprio Zelaya, com o apoio da maioria conservadora da OEA, poderia aceitar essa solução porque ele também teme a insurreição popular, que colocaria em perigo, pelo menos, as propriedades dos latifundiários (ele é um deles). Sobretudo porque tem consciência de que mesmo se fosse presidente sem margem de manobra em um governo de transição, seria a primeira figura desse governo, aparecera como vitorioso e reforçaria seu apoio popular, para encarar qualquer outra perspectiva imediata.

É preciso considerar, no entanto, qual seria a reação popular diante da queda dos golpistas gorilas e sua substituição por chimpanzés e diante da condição de presidente amordaçado que seria imposta a Zelaya. Possivelmente um setor poderia aceitar essa situação, mas outro, importante, buscaria seguir para frente com sua luta, aproveitando o que veriam, como um triunfo deles.

O apoio do governo brasileiro e da OEA a Zelaya tem o objetivo de levar ao governo o presidente legítimo, evitando a guerra civil. Mas o Brasil responde, com este apoio ao presidente legítimo, que é membro da ALBA, à instalação de bases dos EUA na Colômbia (que ameaçam, em primeiro lugar, ao governo de Hugo Chávez e ao petróleo venezuelano, vital para Washington), mas tambem a riqueza petrolífera e as águas brasileiras. É preciso não esquecer que o Brasil repudia a existência da IV Frota dos EUA que ameaça seu petróleo submarino e planeja se rearmar com tecnologia avançada francesa (abandonando a estadunidense).

Ao Departamento de Estado fica aberta uma frente muito ativa na América Central, que é vital para afirmar tanto o Plano Mérida, como o Plano Colômbia, e não pode aparecer diante do mundo – menos ainda, diante da Rússia, à que acaba de sacrificar seu escudo espacial – apoiando abertamente uma ditadura militar dirigida, por exemplo, contra a Venezuela (que tem um pacto com a Rússia e se rearmou com armas russas).

Finalmente, Obama, que vê agravar-se a situação no Afeganistão, onde o alto comando militar lhe pede reforços para que não aconteça com os EUA o que aconteceu no Iraque, não está em condições de impor ditaduras na América Central (e menos ainda de legitimiar a extrema direita estadunidense e a seus inimigos no Pentágono e no Departamento de Estado e a alguns gorilas que todos os dias lhe dizem que é um ”negrinho ignorante”).

Tudo depende, por tanto, do que acontecerá nas forças armadas e nas classes dominantes hondurenhas e de que reações terão os EUA (ou seja, de como se resolverá a luta interna no establishment desse país). A crescente onda de mobilizações populares em Honduras pode resultar muito importante para precipitar grandes mudanças.

Tradução: Emir Sader

Por agencia Carta Maior

 

ARTIGOS AFINS:

 A América Latina e o fim do liberalismo social                     James Petras, 14/Set

Quantas mortes Obama precisará em Honduras?                       Atilio Borón, 26/Set

Honduras: A resistência diz um não categórico às eleições-farsa de 29/Novembro

11/Nov

Documento oficial da US Air Force revela as verdadeiras intenções por trás do Acordo Militar EUA-Colômbia

por Eva Golinger, 08/Nov 
 

 



Escrito por João Martins às 15h38
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NO MEIO DA CONVERSA...

 

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  Depoimento concedido a Marcelo Salles

 Por Jornal A Nova Democracia

 

  

Quando o Rio de Janeiro passa da rebeldia ao colaboracionismo? Da referência nas lutas quilombolas ao cidadão anestesiado pelas forças do sistema capitalista? Para a socióloga Vera Malaguti, Secretária-Geral do Instituto Carioca de Criminologia, isto ocorre em 1994, com a derrota da retomada do projeto trabalhista encarnado por Leonel Brizola. "Foi aí que o neoliberalismo assumiu o controle da cidade, tendo como principais sustentáculos o monopólio da imprensa, as empresas de opinião pública e as empresas publicitárias que, por sua vez, definem os processos eleitorais. Resultado: por trás dos negócios privados que tomaram conta da vida pública, o pobre é tratado com força bruta e os ricos cuidam de fazer do Rio, principalmente da zona sul, uma cidade asséptica e, mais sinceramente, babaca". Esta é a síntese do depoimento exclusivo de Vera Malaguti, voz rara a se levantar contra a barbárie em que vivemos.

"O Rio sempre foi o grande tambor de ressonância da rebeldia brasileira e por isso mesmo, muito oprimido".

                              (Vera Malaguti)

Acho que a situação no Rio de Janeiro vem se agravando. A grande pergunta é: o que aconteceu com a gente? Na saída da ditadura tínhamos uma visão muito crítica do autoritarismo, do abuso policial, do extermínio, da tortura. O que aconteceu dos anos 80 pra cá? A sociedade, principalmente a carioca, incorporou muito a fascistização da segurança pública. Por que a zona sul do Rio virou um lugar tão apartador? Por que uma vereadora do PV, como a Aspásia Camargo, é apologeuta dos muros? Como todas aquelas bandeiras que a gente tinha e as propostas de integração das favelas caíram por terra? E como hoje se criou toda uma polissemia de discursos fascistas e de combate à pobreza, de trabalhar a pobreza como sujeira, como risco ambiental, como perigo. A mídia tem um papel fundamental, tenho a tese do livro "O Medo na Cidade do Rio de Janeiro", em que mostro como o medo é trabalhado... O choque de ordem, esse corolário de projetos apartadores, começa pela defesa do confronto, pela apologia da truculência, pelo paradigma bélico de segurança pública, e agora já está indo pra questão urbana, com a perseguição violenta aos trabalhadores da economia informal, tipo camelôs e flanelinhas. E agora estamos voltando ao lacerdismo no Rio de Janeiro com força total. Então a pergunta é: como foi construído esse consenso? A mídia... Por isso que o embate que o Brizola fez nesse terreno era o embate certo. Não é à toa que sua morte e a tomada do PDT por esses grupos oportunistas deixou isso entrar no Rio e se espalhar. Acho que esse consenso é uma construção social, como diz o Noam Chomsky, que diz que a imprensa faz uma manufatura do consentimento. Isso foi feito muito em cima do medo. Resumindo de uma forma bem simplista: pobre tem que ser tratado na força bruta, seja na questão criminal, seja na questão trabalhista ou urbanista.

O Rio de Janeiro sempre foi uma cidade rebelde, uma cidade quilombola, de resistências afro-brasileiras, a graça dela sempre foi essa mistura, tanto que até hoje os estrangeiros que vem ao Rio querem conhecer baile funk, samba no morro, feijoada na favela, Santa Teresa. Qual estrangeiro quer ir pra Barra? Sem querer desmerecer, mas quem vai pra Barra vai pra Miami, Dubai, pra esse conceito de cidade.

E aí a direita foi crescendo, crescendo até chegar à Chacina do Alemão, que é uma coisa totalmente relacionada à faxina, faxina-chacina, que é bem uma metáfora nazi-fascista, porque todas as metáforas do nazismo e do fascismo eram sobre pureza, limpeza, o que perturbava a ordem pública, a moral, então toda essa visão fascista da cidade contra as prostitutas, contra os camelôs, contra os travestis, contra os meninos de rua, contra os flanelinhas. Quando eu lembro que Cartola era lavador de carro...

As atividades fascistas são sempre legitimadas e racionalizadas por um discurso moral. Por outro lado, como tem no samba do Chico, por trás estão as tenebrosas transações, os negócios em cima dos Jogos Olímpicos, do Pan, da Copa do Mundo. O [estado do] Rio de Janeiro, e agora com a Prefeitura no mesmo grupo político, está dominado por essa mentalidade privada na vida pública. Não é à toa que está passando também privatização na área de educação e saúde.

Então a minha tese é que a discussão sobre segurança pública em 1994 tinha como embate desconstruir o fio da história brasileira que vem desde 1954 (suicídio de Getúlio), 1964 (derrubada de Jango). Então em 1994 a discussão sobre segurança pública era o biombo de uma discussão muito importante para o neoliberalismo – a derrota do Leonel Brizola e tudo o que ele representava como retomada de um projeto soberano, brasileiro.

O Rio de Janeiro, tirando a favela, hoje é uma cidade careta, conservadora, insuportável. A zona sul do Rio hoje é muito ruim. Porque a "esquerda zona sul" entrou na onda, pelo discurso da segurança pública, pelo discurso ecológico. Se você olha a Lagoa Rodrigo de Freitas hoje todas as encostas estão tomadas por casas de ricos, sem que isso tenha uma conotação de sujeira, de contaminação. O Rio de Janeiro desse pessoal é hoje uma cidade babaca.

Muros nas favelas

Lembro que há uns 5 anos essa proposta dos muros foi aventada e logo massacrada. Você vê, o que eu chamo de adesão subjetiva à barbárie, como hoje está passando até discussão sobre remoção, que urbanisticamente não existe em nenhum lugar do mundo, a não ser no paradigma derrotado de Bush e Israel, "muros para integrar", não conheço nenhuma cidade do mundo que tenha feito muros para integrar. Esse discurso que trabalha o pobre como detrito, eu conheço na história. Pega lá o discurso de Adolf Hitler, essa coisa da assepsia. Isso está tudo ligado.

O monopólio da imprensa

Mas como existe um domínio total da imprensa... Eu tenho denunciado muito, acho que a política representativa brasileira está completamente capturada pela empresa eleitoral. Hoje é muito difícil um político da esquerda ou do campo popular furar o bloqueio entre grande mídia, empresas de opinião pública e empresas publicitárias. Não se discute mais política no Brasil. A pauta política está policizada. Se você abrir a página política dos grandes jornais vai ter discussão policial: "farra das passagens", toda essa pauta que eles fazem que é a criminalização da política. E que de uma certa forma, um grande percentual da nossa representação política acabou se adaptando a isso. Existem resistências, claro, não vou generalizar, mas a política é isso: quem vai desenvolver a melhor empresa eleitoral. Então pode estar numa igreja neopentecostal e você forma um grupo empresarial e de comunicação.

Mas então acho que esse caminho está esgotado. Aqui no Rio, tanto na prefeitura quanto no governo do estado, essas forças políticas ganharam. E a pobreza tem uma visão muito pragmática, no período eleitoral ela vê quais os ganhos imediatos pode ter, e eu não condeno isso. Então a melhor empresa é a que vende melhor, a que tem marqueteiro, dinheiro pra distribuir, material de campanha, jornais no bolso. A grande mídia, quer dizer, o sistema Globo, é o grande formador que levou a adesão subjetiva à barbárie. Parte da esquerda embarcou, muito pelos seus preconceitos contra o lúmpen. Acho que essa conjunção de fatores permitiu que esse fascismo tomasse conta e, como o nazi-fascismo, sempre encobrindo grandes negócios. A área em volta dos muros é muito valiosa economicamente, então isso também tem a ver com especulação imobiliária.

Milícias

Nos anos de 1980, você chamava de esquadrão da morte os grupos de extermínio. Com o grande massacre midiático em torno do "tráfico de drogas", que esse era o mal, o ruim, que a esquerda toda também acha, que o trabalhador bom é o bem comportado... Em torno deste paradigma, a milícia foi sendo legitimada. Primeiro passou a ser chamada milícia, seria uma resistência comunitária ao tráfico de drogas. Só um idiota não vê que aquela força econômica, completamente imbricada com as forças policiais, não iria fazer o salto do gás, do "gatonet", para o comércio varejista de drogas. Então a milícia cresceu... Agora tem a coisa do bom matador. Tropa de Elite é a apologia disso. Você tem o matador limpo, que é o SS. Com esse paradigma do enfrentamento, eles resolveram bater numa força só, que seria o Comando Vermelho. Qualquer pessoa que está olhando de fora diria: é óbvio que os outros grupos vão tomar conta desse mercado. Então você corre o risco de que essas forças hoje passem a ter a hegemonia de todo o comércio varejista de drogas.

Choque de ordem

É o requentamento do Tolerância Zero numa situação muito mais pobre, muito mais complicada do que na cidade de Nova Iorque. E na colônia a moda demora mais a chegar. Então o Tolerância Zero em NY já é uma coisa hiper criticada, o prefeito que está lá agora, que é de direita, já nem fala mais nisso. Mas aqui na colônia, aquilo passa, o paradigma da cidade intolerante, cujo ideal é a repressão contra os pequenos delitos. Em Nova Iorque ela também incidiu contra os pobres.

Privatização da polícia

Houve reformas na estrutura policial análogas aos processos de privatização: combate à pirataria, combate ao "gatonet", como se as delegacias fossem extensões dos serviços privatizados. Antigamente, quando eu trabalhava em planejamento urbano, no cálculo das tarifas estava implícito o custo para os pobres que eram negociados e cobrados pelas associações de moradores. Esses negócios foram privatizados. Aí aparece a delegacia de fraudes, é como se a polícia fosse uma divisão das operadoras privadas dos serviços públicos. Como você vai fazer na Europa, por exemplo, com o serviço de aquecimento? O pobre que não pode pagar vai morrer de frio, congelar? Não. Todo lugar que tem um mínimo de Estado Previdenciário, vai prever isso e vai garantir que ninguém vai morrer de frio. Você não pode dizer não a quem não tem como pagar.

A sociologia colaboracionista

E muitas vezes parte da esquerda embarcou no paradigma da segurança pública, graças aos sociólogos de plantão. Toda essa curriola da sociologia policialesca. Foram relativizando o confronto e incorporando a mentalidade policialesca. Teve toda uma articulação com esses sociólogos. O sociólogo é muito assim, gosta muito disso, se apresenta como uma terceira via. Tem a polícia má e a esquerda caótica, que seríamos nós, e no meio tem a terceira via: um sociólogo faz um projeto sem mudar o capitalismo, sem mudar a violência do desemprego, ele pode mudar e organizar uma boa polícia. Dá pra eles um bom dinheiro, consultoria, cursos para policiais e está tudo resolvido, como mágica.

Um dia eu ainda vou fazer um estudo, um mapa do Brasil, os lugares onde mais a polícia mata é onde está o que eu chamo de sociologia colaboracionista, sociologia da polícia: projetos, reformas, cursos e tal. Eu sou socióloga e falo à vontade, tenho vergonha da sociologia brasileira no momento. Tirando pouquíssimas exceções, é um discurso vergonhoso, liberal, funcionalista, acrítico, que não tem o menor conhecimento da pobreza, das resistências populares. Estão produzindo racionalizações que justificam dor, sofrimento... Basta você ver os autos de resistência. Eles trabalham para qualquer governo, é como se a questão criminal não fosse política. Como se pudesse haver uma saída técnica policial ou sociológica para se resolver a conflitividade social, para resolver os embates do Rio de Janeiro, com 500 anos de história. Então é choque de ordem, camelô como inimigo, flanelinha como inimigo, menino de rua como inimigo, vendedor do varejo como inimigo.

Onde é que a polícia mata mais no mundo? Pernambuco? Tem lá um grupo de sociólogos. No Rio de janeiro todos os sociólogos, tirando um ou dois, estão metidos na indústria do controle do crime: é livro, é filme, é série pra televisão, é peça de teatro. Nós na saída da ditadura tínhamos horror a um capitão Nascimento. Agora ele é um herói. Um policial limpo, com seus embates... Se você pegar uma dessas pessoas que estudaram a fundo a subjetividade do nazismo, de Reich a Bauman, é isso: o medo da dissolução moral, os discursos higiênicos, as metáforas biológicas, as bandas podres...

Por trás disso tudo não tem nada bonito. Tenebrosas transações. Essa prefeitura e esse governo do estado são só negócios privados. Não tem projeto público.



Escrito por João Martins às 22h25
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NO INÍCO DA CONVERSA...

Pronunciamento do deputado Marcelo Freixo, 12/05/2009, Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro

Já que estou aqui citando a importância da luta pedagógica na política, acho que o Sistema Globo de Televisão, a Rede Globo, lamentavelmente prestou um desserviço ao Rio de Janeiro na semana que passou. Falo isso com pesar, não tem aqui uma carga ideológica. Esse debate é necessário e importante, mas quero ser pontual na minha crítica.

Na semana passada, houve um seriado na Rede Globo chamado Força Tarefa. Desde o filme Tropa de Elite, criou-se uma cultura – não estou aqui para questionar –, visivelmente se construiu um público para esse tipo de espetáculo. Está também no teatro, agora há uma peça do Luiz Eduardo com o Domingos Oliveira. Há diversas obras de arte, de livros a peças de teatro e cinema, cujo enredo passa pela ação policial, pelos conflitos urbanos. Pois bem, um desses seriados é o Força Tarefa da Rede Globo, que foi ao ar na última quinta-feira (07/05).

Nesse episódio, o tema era milícias. Eu, por acaso, estava em casa e, quando vi que era sobre milícias, parei para assistir ao seriado. De alguma maneira, a Rede Globo tenta se redimir da última novela, onde um miliciano exerceu o papel de herói, papel do Antônio Fagundes. Nesse momento, nesse seriado, a milícia era caracterizada como algo negativo, extorquindo a sociedade, extorquindo os moradores. Menos mal. No final das contas, o recado é que a milícia é enfrentada e depois o tráfico volta.

Aconselho aos diretores de televisão da Rede Globo que leiam o relatório da CPI das Milícias, porque em 65% das áreas onde hoje há milícia no Rio de Janeiro, antes não havia tráfico. Assim, não é verdade a lógica “ou milícia, ou tráfico”. Na verdade, a lógica que precisamos implementar na sociedade é milícia/tráfico de um lado, Estado do outro. Temos que defender o poder público sobre todo o território, com sua soberania sobre todo o território, e não jogar a sociedade na falsa polêmica de milícia ou tráfico, como se os moradores tivessem que escolher sob qual tirania vão submeter suas vidas. Qualquer morador do Rio de Janeiro tem que submeter sua vida à lógica do Estado democrático, e é isso que temos que exigir para todo o território e o conjunto de pessoas. Todas têm o mesmo valor, ou pelo menos deveriam ter.

De alguma maneira, o seriado era crítico à milícia, mas colocava a fragilidade de “ou milícia, ou tráfico”. Até aí tudo bem. Mas qual é o desserviço? O desserviço é o que veio depois. Esse seriado foi gravado numa comunidade no Rio de Janeiro chamada Rio das Pedras, que é uma das milícias mais antigas do Rio de Janeiro. É uma área de milícia. O relatório da CPI concluiu isso. As investigações da Polícia Civil indicam isso. As investigações da Polícia Militar, a Secretaria de Segurança Pública. Todo cidadão do Rio de Janeiro sabe que em Rio das Pedras funciona uma milícia, a mais antiga do Rio de Janeiro, clássica milícia. Diversos dos seus líderes foram indiciados pela CPI, diversos foram investigados pelo Ministério Público, diversos estão respondendo a processos na Justiça. A Rede Globo, mesmo assim, desconsiderando isso, abrindo mão de qualquer necessidade ou cuidado de pesquisa, resolve fazer a gravação dentro de Rio das Pedras. Para isso, evidentemente, negocia com a Associação de Moradores de Rio das Pedras.

Mas o mais grave está por vir: o presidente da Associação de Moradores de Rio das Pedras, que é uma pessoa indiciada pela CPI, investigada pelo Ministério Público como miliciano, recebeu toda a equipe da Globo e trabalhou no seriado como policial da Corregedoria. É inacreditável! Ele era policial da Corregedoria e, diga-se de passagem, foi filmado com muito cuidado – sistematicamente aparecia, não era um simples figurante. É o policial da Corregedoria que atua no enfrentamento às milícias.

É evidente que não estou cobrando de qualquer emissora, de qualquer veículo de comunicação o papel de ação policial ou de investigação. Não é isso, não se trata disso. Mas não se pode tratar assim de um assunto como esse, de um assunto como as milícias, que representam hoje a maior ameaça à segurança pública do Rio de Janeiro, a maior ameaça ao estado democrático do Rio de Janeiro. As milícias representam hoje a maior ameaça, o que há de mais grave, e o governo já admite isso – age pouco, mas admite isso. Falamos isso há muito mais tempo e ainda esperamos uma ação mais concreta do governo sobre as milícias – não tem. Aliás, esperamos uma ação do Estado e não só do governo – do Judiciário e do Ministério Público também.

Nesse sentido, quando se quer fazer um documentário, quando se quer tratar desse assunto, o mínimo de cuidado deveria haver. Não se pode dizer que é descuido pegar alguém que está indiciado por ser miliciano e colocá-la para trabalhar como policial corregedor enfrentando as milícias. Isso beira o deboche, beira uma ironia inaceitável! Não é em nome da arte que se pode justificar isso, não há licença poética para tamanha atrocidade, não há.

Eu não poderia deixar de me pronunciar depois do trabalho que esta Assembléia fez, depois do relatório da CPI, depois da coragem que esse Parlamento teve de indiciar 225 pessoas, entre elas o novo ator. É um afronta ao trabalho desta Casa, é uma afronta ao trabalho dos bons policiais, é uma afronta ao trabalho do Ministério Público e de todos aqueles que querem um Rio de Janeiro diferente. Não é um detalhe pegar alguém que está sendo investigado por ação de milícia e colocar para trabalhar como policial corregedor que enfrenta as milícias.

Fica aqui o meu repúdio a esse desserviço promovido pela Rede Globo, a essa ação antipedagógica, lamentável, injustificável. Espero que se pronunciem publicamente, que peçam desculpas a todos aqueles que estão enfrentando, sobre os efeitos que têm. Todo mundo sabe hoje o que significa enfrentar as milícias no Rio de Janeiro, o risco que todo mundo que as enfrenta está correndo para isso virar um seriado em que aquele que estamos enfrentando vira ator e faz papel de corregedor.

Sinceramente, Sr. Presidente, eu não estou aqui para isso e acho que, por mais poderosa que seja, a Rede Globo não tem esse direito. Faltou respeito a todos aqueles que enfrentam as milícias, inclusive os jornalistas do próprio jornal O Globo, alguns ameaçados – há jornalistas da Rede Globo e do jornal O Globo que tiveram que ficar fora do Rio de Janeiro porque foram ameaçados por milícia. Nem respeito aos seus profissionais, da própria casa, tiveram. Isso é inaceitável! Fica aqui o meu protesto e espero que estejam mais atentos nas próximas produções.

 



Escrito por João Martins às 15h04
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LINHAS CENTRAIS PARA UMA POLÍTICA EDITORIAL EM 2009 AQUI NO LINHASNOMADES:

1- A crise sistêmica do capitalismo como oportunidade política para se radicalizar o paradígma ecológico para uma nova crítica da economia política.

2- Quais os caminhos para a travessia nesta crise ecológica e de civilização: socialismo ou barbárie?barbárie na civilização?; qual nova civilização emergente?

3- A atual importância, para o sistema do capital, em manter a crença na concorrência e no consumo desenfreado; no produtivismo e no paradigma do crescimento econômico.

4- Concorrência X cooperação; a natureza sócio-metabólica do capital a ser superada na civilização para o século XXI.

5- A possibilidade de uma nova internacional socialista e a importância da América Latina e o marxismo de Mariátegui (para ler Mariategui -2 e os 7 ensaios de interpret. da realidade peruana).

6- Direito insurgente, o genocídio nas políticas públicas de segurança das metrópolis, geopolítica e contra-insurgência na América Latina, a relação entre a DEA e a CIA; a mídia e o paramilitarismo na política, órgãos de segurança e judiciário brasileiro; caminhos atuais de revolução e contra revolução no Brasil: mídia, senado e STF, e o que tange à polícia federal.

 

PARA INÍCIO DE CONVERSA,

OBSERVAÇÕES SOBRE A APARTAÇÃO SOCIAL NO RIO DE JANEIRO E AS MENTIRAS SUSTENTADAS PELA MÍDIA CORPORATIVA -

SINAIS DAS RUAS - FEIOS, SUJOS E MALVADOS

 

COLUNA DE ADRIANA FACINA - POR JORNAL FAZENDO MEDIA.

Adriana Facina é antropóloga, professora do Departamento de História da UFF, membro do Observatório da Indústria Cultural e autora dos livros Santos e canalhas: uma análise antropológica da obra de Nelson Rodrigues (Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2004) e Literatura e sociedade (Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2004).

 


 

Caminhada pacífica pela Avenida Brasil acabou em tumulto e truculência de policiais no Complexo da Maré. Foto: Naldinho Lourenço/Agência Imagens do Povo.

Caminhada pacífica pela Avenida Brasil acabou em tumulto e truculência de policiais no Complexo da Maré.

 

UMA REPORTAGEM DO OUTRO LADO DO FRONT - Por jornal Fazendo Media

Por Gizele Martins, Renata Souza e Douglas Baptista (*). Fotos: Naldinho Lourenço/Agência Imagens do Povo.

"Para que não prevaleça apenas a versão da polícia, em tiroteios como o de ontem (14/04), que resultaram na morte de Felipe do Santos Correia de Lima, de 17 anos, no Complexo da Maré, e em protestos de moradores contra a violência policial, o blog publica um relato de Gizele Martins, moradora da favela e estudante de jornalismo da PUC-Rio. A reportagem de Gizele foi enviada para oemail do blog pela ONG Justiça Global".

Cerca de 300 pessoas foram às ruas em protesto por mais uma morte no Complexo da Maré. Foto: Naldinho Lourenço/Agência Imagens do Povo.

Cerca de 300 pessoas foram às ruas em protesto por mais uma morte no Complexo da Maré

 

Jovens choram a morte de Felipe, assassinado em operação da PM na Favela da Maré. Foto: Naldinho Lourenço/Agência Imagens do Povo.
Jovens choram a morte de Felipe, assassinado em operação da PM na Favela da Maré.

 

Manifestantes após o enterro de jovem morto por policiais militares. Foto: Naldinho Lourenço/ Agência Imagens do Povo.
Manifestantes após o enterro de jovem morto por policiais militares.

 


Entrevista de Itamar Silva ao Fazendo Media -

UMA ANÁLISE SOBRE A OCUPAÇÃO NO SANTA MARTA

Itamar Silva foi líder comunitário do morro Santa Marta na década de 80, mora na comunidade há muitos anos e hoje faz parte da coordenação do Ibase. Na entrevista ele fala como observa a ocupação da polícia com o Estado no território e destaca a falta de discussão interna com os moradores....

 

 

Artigos afins:

É POSSÍVEL USAR A MÍDIA PARA A PAZ?

Por Ana Bittencourt

"Diante da expectativa da realização da I Conferência Nacional de Segurança Pública (em agosto) e de que saia do papel a intenção do governo federal de organizar, enfim, a I Conferência Nacional de Comunicação (prometida durante o FSM 2009), um passo concreto foi dado recentemente, fortalecendo o esforço que a sociedade civil vem fazendo para intervir de forma direta no debate sobre mídia e violência. Especialistas em estudos sobre violência e profissionais de mídia das Américas se reuniram nos últimos dias 26 e 27 de março, no Rio de Janeiro, para analisar em conjunto o espinhoso tema de peito aberto, sem reservas".

 

RIO, FAVELAS E DEMOCRACIA

Por Patricia Birman (*)

(*) Patricia Birman, antropóloga, professora titular do Departamento de Ciências Sociais da UERJ. Artigo publicado originalmente no dia 29/03/2009 no sítio da Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência.

"Há muitos anos atrás, talvez mais do que a nossa memória queira registrar, começou no Rio o processo que hoje é designado como problema da violência, usualmente associado ao tráfico de drogas e ao domínio armado de traficantes em favelas. Os tratamentos que o governo do estado, a prefeitura e o governo federal têm dado a este problema têm sido, de modo geral, baseados em um modelo repressivo que insiste em ignorar os direitos dos moradores de favela".

(...) "É preciso reconhecer que estamos diante de um falso antagonismo que alimenta uma perspectiva política fascistizante e anti-democrática, além de corrupta, evidentemente. Será tão difícil reconhecer a centralidade da associação e a cumplicidade política entre criminosos situados em favelas e segmentos do Estado, empresários de segurança, contrabandistas de armas e de drogas, comandos militares, milícias e certos vereadores e deputados?" (...)

 

Vídeos afins:

Sobre muros e favelas -

A violência do estado policial de terror nas favelas do Rio de Janeiro - Veja aqui pela TV Ágora, Argentina -  Documentário de 64 minutos, produzido pela TV Tagarela da Rocinha, com depoimentos de moradores, mães de adolescentes assassinados,  lideranças locais, além da participação de Marcelo Freixo (Justiça Global e atual deputado estadual - PSOL- presidente da CPI das "milícias") e Vera Malagute Batista, dentre outros.


Notícias de uma Guerra Particular

Documentário de João Moreira Salles

 

Justiça -

Documentário de Maria Augusta Ramos

 

 

 

Reportagens relacionadas:

 

Por jornal impresso Brasil De Fato -



ONU mantém uma política antidrogas reacionária e inócua
"Fortemente influenciada pelos interesses dos EUA, a ONU manteve, em reunião com 130 países realizada em março, sua postura obtusa em relação às drogas, centrada sobretudo na repressão".

 

 

Por Jornal A NOVA DEMOCRACIA:

Choque de repressão não dá trégua aos trabalhadores pobres

Patrick Granja   

Como A Nova Democracia denunciou nas últimas duas edições, o Choque de Ordem promovido pelo prefeito Eduardo Paes segue investindo brutalmente contra moradores de rua, trabalhadores ambulantes e comunidades carentes. Revoltado, o povo intensifica os protestos e a Resistência. 

http://www.anovademocracia.com.br/52/7a1.jpg

Agentes da prefeitura agridem camelô

 

 

 

Agressões nos trens do Rio revoltam o Brasil - por jornal A Nova Democracia.

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Patrick Granja   

No dia 13 de abril, trabalhadores ferroviários do Rio de Janeiro decretaram uma greve de 24 horas por melhores condições de trabalho e segurança para os passageiros que todos os dias utilizam o serviço em condições precárias. Imagens revoltantes exibidas em dezenas de meios de comunicação em todo o país mostraram trabalhadores tentando embarcar nos trens lotados sob uma saraivada de socos e chibatadas desferidas por agentes da Supervia. O povo foi tratado como gado de corte, e dessa mesma forma é confinado e abatido todos os dias a sangue frio.

http://www.anovademocracia.com.br/52/7b.jpg



Escrito por João Martins às 18h26
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TRAVESSIAS PARA 2009...

POR AGÊNCIA CARTA MAIOR

 

 

VEJA AQUI O ESPECIAL SOBRE O MASSACRE EM GAZA FEITO PELA TELESUL TV

 

Caro leitor, em breve publicarei a continuação deste post e passarei a divulgar a arte dos poetas palestinos da resistência que estou selecionando.

Grato, e, esperança em 2009!

 

RAIZES DO CONFLITO PALESTINA-ISRAEL

Documentário gravado em 3 de janeiro de 2007 na Espanha. Duração: 47:02

 

 

 

Leonardo Boff

 

Não desperdiçar as oportunidades da crise

 Face ao cataclismo econômico-financeiro mundial se desenham dois cenários: um de crise e outro de tragédia. Tragédia seria se toda a arquitetura econômica mundial desabasse e nos empurrasse para um caos total com milhões de vítimas por violência, fome e guerra. Não seria impossível, pois o capitalismo, geralmente, supera as situações caóticas mediante a guerra. Ganha ao destruir e ganha ao reconstruir. Somente que hoje esta solução não parece viável, pois uma guerra tecnológica liquidaria com a espécie humana; só cabem guerras regionais sem uso de armas de destruição em massa.

Outro cenário seria de crise. Para ela, não acaba o mundo econômico, mas este tipo de mundo, o neoliberal. O caos pode ser criativo, dando origem a outra ordem diferente e melhor. A crise teria, portanto, uma função purificadora, abrindo espaço para uma outra oportunidade de produção e de consumo.  

 Não precisamos recorrer ao ideograma chinês de crise para saber de sua significação como risco e oportunidade. Basta recordar a sânscrita matriz das línguas ocidentais. 

 Em sânscrito, crise vem de "kir" ou "kri" que significa purificar e limpar. De "kri" vem também crítica que é um processo pelo qual nos damos conta dos pressupostos, dos contextos, do alcance e dos limites seja do pensamento, seja de qualquer fenômeno. De "kri" se deriva, outrossim,  crisol, elemento químico com o qual se limpa ouro das gangas e, por fim,  acrisolar que quer dizer depurar e decantar. Então, a crise representa a oportunidade de um processo critico, de depuração do cerne: só o verdadeiro fica, o acidental cai sem sustentabilidade.

 Ao redor e a  partir deste cerne se constrói uma outra ordem que representa a superação da crise. Os ciclos de crise do capitalismo são notórios. Como nunca se fazem cortes estruturais que inaugurem uma nova ordem econômica, mas sempre se recorre a ajustes que preservam a lógica exploradora de base, ele nunca supera propriamente a crise. Alivia seus efeitos danosos, revitaliza a produção para novamente entrar em crise e assim prolongar o recorrente ciclo de crises.

 A atual crise poderia ser uma grande oportunidade para a invenção de um outro paradigma de produção e de consumo. Mais que regulações novas, fazem-se urgentes alternativas. A solução da crise econômico-financeira passa pelo encaminhamento da crise ecológica geral e do aquecimento global. Se estas variáveis não forem consideradas, as soluções econômicas, dentro de pouco tempo, não terão sustentabilidade e a crise voltará com mais virulência.

 As empresas nas bolsas de Londres e de Wall Street tiveram perdas de mais de um trilhão e meio de dólares, perdas do capital humano. Enquanto isso, segundo dados do Greenpeace, o capital natural tem perdas anuais da ordem de 2 a 4, trilhões de dólares, provocadas pela degradação geral dos ecossistemas, desflorestamento, desertificação e escassez de água. A primeira produziu pânico, a segunda sequer foi notada. Mas desta vez não dá para continuar com o "business as usual".

 O pior que nos pode acontecer é não aproveitar a oportunidade advinda da crise generalizada do tipo de economia neoliberal para projetar uma alternativa de produção que combine a preservação do capital natural com o capital humano. Há que se passar de um paradigma de produção industrial devastador para um de sustentação de toda a vida.

 Esta alternativa é imprescindível, como o mostrou corajosamente François Houtart, sociólogo belga e grande amigo do Brasil, numa conferência diante da Assembléia da ONU em 30 de outubro do corrente ano: se não buscarmos uma alternativa ao atual paradigma econômico em quinze anos 20% a 30% das espécies vivas poderão desaparecer e nos meados do século haverá cerca de 150 a 200 milhões de refugiados climáticos. Agora a crise em vez de oportunidade vira risco aterrador.

A crise atual nos oferece a oportunidade, talvez uma das últimas, para encontrarmos um modo de vida sustentável para os humanos e para toda a comunidade de vida. Sem isso poderemos ir ao encontro da escuridão.

 www.leonardoboff.com.br

 

O brutal ataque que o governo de Israel desencadeou sobre a população da Faixa de Gaza desde 27 de Dezembro, traduziu-se num criminoso massacre, numa destruição e numa catástrofe humanitária sem precedentes. Mais de 1300 palestinos foram mortos, entre os quais 417 crianças e 107 mulheres covardemente assassinados.

 

Por WWW.RESISTIR.INFO

DO GUETO DE VARSÓVIA AO GUETO DE GAZA


Gueto de Varsóvia, 1943.
Em Abril de 1943 os judeus do Gueto de Varsóvia foram massacrados pela máquina militar do III Reich nazi. Em Dezembro de 2008 os palestinos do Gueto de Gaza são massacrados pela máquina militar do IV Reich nazi-sionista. Ambos os povos exerceram o seu direito inalienável à revolta contra a opressão.

É hipócrita e cínica a atitude do governo português a recomendar que cessem os ataques de ambos os lados. Com essa argumentação pretende-se comparar a resistência digna do povo palestino e a acção criminosa do invasor sionista que massacra a população civil e destrói a infraestrutura de Gaza, depois de sustentar durante meses um bloqueio total contra o seu povo.

Este genocídio só é possível porque o lobby judeu mundial concede-lhe o combustível necessário, porque os EUA dá cobertura política, economica e bélica ao agressor, porque a União Europeia lhe deu um sinal verde e porque grande parte da população israelense dá apoio à limpeza étnica promovida pelo governo nazi-sionista.

Só o levantamento generalizado no mundo árabe e a solidariedade internacional, com todo tipo de protestos por toda a parte, poderá deter essa acção criminosa. Neste momento é importante reiterar a solidariedade com o governo legítimo do Hamas e repudiar a posição cúmplice do atual presidente da Autoridade Nacional Palestina, sr. Mahmud Abbas. Este, apesar da carnificina em curso, optou por acusar o Hamas pelo que está a acontecer e de forma submissa procura negociar com os assassinos do seu povo.

 

DA RESPONSABILIDADE COLETIVA DE UM POVO

As novas atrocidades cometidas pelo estado judeu colocam questões candentes. O bombardeamento indiscriminado da população de Gaza pelos caças F-16 da entidade sionista até agora já provocou quase 300 mortos e 900 feridos. Isto vem na sequência de um sitiamento prolongado, em que se priva aquela população de alimentos, combustíveis e medicamentos. A palavra genocídio tem razão de ser. Ele está a ser efetuado desde há anos. É um genocídio em câmara lenta. A cumplicidade/passividade da União Europeia e dos governos de muitos países árabes (a começar pelo do Egipto) é notória. Mas acima de tudo é notória a conivência de grande parte dos cidadãos de Israel.

Na década de 1930 o cidadão médio da Alemanha podia alegar desconhecimento dos crimes perpetrados pelo nazismo. O aparelho de propaganda hitleriano jamais mencionava o holocausto em curso. A existência dos campos de concentração e dos fornos crematórios era cuidadosamente escondida. Os media da Alemanha nazi nunca mencionavam a existência de tais infâmias.

E o que se passa hoje em Israel? Os crimes do estado sionista são bem conhecidos. A realidade do apartheid é evidente para todos, basta olhar as muralhas que esquartejam a Palestina. Os assassinatos das sinistras polícias políticas de Israel são (em parte) divulgados nos media. As 100 toneladas de bombas já despejadas sobre a população indefesa de Gaza são anunciadas nos jornais israelenses. As perseguições ao espoliado povo palestino (10 mil palestinos presos) são notórias. Por isso - ao contrário do povo alemão dos anos 30-40 - o povo de Israel não pode alegar ignorância. Assim, exceptuando as forças democráticas e progressistas (como o PCI, o Hadash e algumas personalidades dignas) deve-se colocar o problema da responsabilidade colectiva dos cidadãos israelenses que permanecem passivos ou dão apoio (inclusive com o seu voto) a um governo que comete tais atrocidades.

O repúdio à barbárie nazi-sionista deve ser universal. As manifestações contra o massacre já começaram nos EUA e em outros países. O apêlo ao boicote a Israel e ao desinvestimento deve transformar-se em realidade.

 

OUTRA INFORMAÇÃO SOBRE GAZA:

  • Gaza Today
  • Gaza Siege
  • Maan News Agency
  • Angry Arab
  • Palestinian Information Center
  • Uruknet
  • Moments of Gaza
  • Apresentação Power Point: a_terra_prometida.pps (2551 kB). Clique com o botão direito do rato e faça "Save As..." para descarregar.
  •  

     ARTIGOS AFINS:

    Guerra e gás natural: A invasão de Israel e os campos de gás no offshore de Gaza , por Michel Chossudovsky, 13/Jan

    Os "Protocolos dos Sábios do Islão" , por Domenico Losurdo, 12/Jan

    Operação chumbo impune , por Eduardo Galeano, 20/Jan

    Boicotar o Estado nazi-sionista , por BDS Movement, 23/Jan

    Posse de Obama: Derrapagem na Wall Street. E onde estão os credores? , por Michel Chossudovsky, 22/Jan 

    Fase IV da crise sistémica: Começa a sequência da insolvência global , por GEAB, 18/Jan

    Três idéias simples para acabar com o apoio político aos crimes israelenses , por Jean Bricmont, 16/Jan 



     



    Escrito por João Martins às 18h47
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    ESTAMOS EM DELICADA TRAVESSIA...

     

    ESPECIAL - POR AGÊNCIA CARTA MAIOR

     

    Últimos artigos que selecionei para destaque:

     

    Leonardo Boff -14 de novembro/2008 (artigos).

    Obama: a realização do sonho de Luther King

     "A eleição do afro-americano Barack Hussein Obama para a presidiencia dos EUA realiza o sonho de Luther King Jr:”tenho um sonho de que um dia as pessoas seráo julgadas não pela cor de sua pele, mas pela força de seu caráter”. Tudo parece indicar que se iniciou, na política, um tempo pós-racista, pois tanto os eleitores quanto o cadidato não repararam a cor da pele mas a pessoa e suas idéias.

     Esta eleição sinaliza também o fim da era dos fundamentalismos: do mercado, iniciado por  Tatcher e Reagan, responsável pela atual crise econômico-financeira. E do político-religioso que alimentou a concepção imperial e belicosa da política externa dos EUA. Bush e Reagan acreditavam no Armageddon e no destino-manifesto, quer dizer,  na excepcionalidade conferida por Deus aos EUA com a missão de levar a todo o mundo os valores da sociedade americana de raíz capitalista e individualista. Isso era feito por todos os meios, inclusive com conspirações, golpes de estado, articulados pela CIA e guerras “humanitárias”. Essa idéia de missão explica a arrogância dos presidentes, bem expressa numa frase do candidato McCain: “Os EUA são o farol e o líder do mundo. Podemos agir como bem entendemos: afinal somos o único poder da Terra. Os inimigos de ontem e de hoje hão de temer o nosso porrete”.

     Bush criou o terrorismo de estado, constituindo-se no maior perigo para a humanidade. Não há de se admirar que tenha levado a uma ampla desmoralização do pais, inclusive  a um anti-americanismo generalizado no mundo.

     Essa atitude parece ter sido  superada com Obama. À estratégia da guerra e do intervencionismo, ele opoõe a  do dialogo aberto com todos, até com os talibãs. Enfatizou:”é preciso mais que tudo dialogar; a saída é uma ampla negociação e não apenas ataques aéreos e matança de civis”. Ele está convencido de que os EUA não merecem ganhar a guerra contra o Iraque porque está assentada sobre uma mentira e por isso, é injustificável.

     Mas mais que tudo, ele soube captar o que estava latente na sociedade especialmente nos jovens: a necessidade de mudança. “Change”-mudança foi a grande palavra geradora. Suscitou esperança e auto-estima:”sim nós podemos”. Atirou as atenções para o futuro e para as oportunidades novas que se estão desenhando e não para a continuidade do passado e do presente desolador. Com isso falou para a profundade das pessoas e as mobilizou para dar um salto absolutamente inesperado e novo: eleger um negro, representante de uma tragédia humana que envergonha a história americana, de resto com páginas brilhantes de liberdade, de criatividade, de democracia, de ciência, de técnica e de artes que enobrecem  cultura norte-americana. Obama deixou claro que a real força dos EUA não reside nas armas mas nestes valores morais e no potencial de esperança que vige no povo.

     A eleição de Obama parece possuir algo de providencial, como se fora um gesto da compaixão divina para com a humanidade. Vivemos tempos dramáticos com grandes crises: a ecológica, a climática, a alimentar, a energética e a econômica. O arsenal conceptual e pratico disponível não oferece condições para forjar uma saída libertadora.  Precisamos de uma mudança, de um novo horizonte utópico, de coragem para inventar novos caminhos. Faz-se necessário uma figura carismática que inspire confiança, segurança e serenidade para enfrentar estes cataclismos e galvanizar as pessoas para um novo ensaio de convivência, um modo diferente de arquitetar a economia e de montar um tipo de globalização pluripolar que respeite as diferenças e possa incluir a todos num mesmo destino juntamente com a Casa Comum, a Terra.

     Barack Obama preenche estas exigências de carisma. Se for realmente profunda, a esperança criará seu caminho por entre os escolhos e as ruínas da velha ordem".

     

    Com a crise, lutas sociais tendem a se intensificar

    por Miguel Urbano Rodrigues  (entrevistado por Nilton Viana - jornal Brasil de Fato)

     

    Obama, ou o duplo discurso ,

    por James Petras, 10/Nov



    A crise em desdobramento e a relevância de Marx ,

     por István Mészáros, 07/Nov

     

     

    EM SÍNTESE:



    1- Aprofunda-se a crise global, e a lógica do terrorismo de Estado irradia-se do plano Colômbia para além das fronteiras nacionais na América do sul,  região andina e Caribe.


    2- Surge a UNASUL (união das nações Sul-Americanas), e, em resposta, os EUA reagem mandando sua IV frota naval para intimidar e promover sabotagens apoiados nas elites reacionárias que, desesperadas, com as seguidas derrotas do neoliberalismo na América Latina, apoiam o terror e a guerra preventiva, na esperança de manter seus privilégios, sob a tutela estadunidense, que diz ser para "combater" o narcotráfico e o terrorismo.



    3- Precisam que haja guerra, em detrimento aos esforços humanitários de acordos de paz na Colômbia e em suas fronteiras com países como o Equador, a Venezuela e o Brasil, além de apoio à oposição golpista na Bolívia, etc.


    4- A cooperação militar Sul-Americana, sem a presença estadunidense, põe agora, no alvo da sabotagem, as instituições políticas e militares, forças de segurança pública interna, crescimento do paramilitarismo com apoio em instâncias políticas e judiciárias, e sistemática criminalização da pobreza e dos movimentos sociais indígenas, camponeses, e das periferias urbanas, por parte da grande mídia corporativa, alinhada à propaganda de guerra.


    Penso que estamos em uma situação bem delicada nessa travessia. O Rio de Janeiro ocupa uma posição central nas manobras desta geopolítica, por ser considerado caixa de ressonância privilegiada do terrorismo midiático e de Estado, gerando efeitos internacionais para se justificar a guerra imperialista.



    Desenho de Carlos Latuff  (censurado pelo atual governo do Estado do Rio de Janeiro)


    Por Venezuela em vídeos - guerra falsa contra as drogas feita pela DEA/CIA - Documentário com duração de 20 min. Trata-se de um depoimento de Michael Levine (ex-agente da DEA e autor de "A guerra falsa, contra ataque, e operação secreta").


    ARTIGOS AFINS:

    A crise dual - por István Mészáros

    Pós-neoliberalismo na América Latina - Debate aberto por Emir sader (agência Carta Maior)


    Crise sistêmica global: Quatro grandes tendências para o período 2008 - 2013 - por GEAB (Global Europe Anticipation Bulletin)


    A lógica do terrorismo de Estado - por René Báez (economista equatoriano, professor universitário, prêmio Nacional de economia e membro da "International Writers Association").


    Colômbia, laboratório de bruxarias: Democracia e terrorismo de Estado - por James Petras


    Clique para encomendar."O livro recente de Hernando Calvo Ospina, Colombia, Laboratorio de Embrujos: Democracia y Terrorismo del Estado é o mais importante estudo da política colombiana nas últimas décadas e leitura essencial à luz da celebração dos media e políticos ocidentais do presidente colombiano Álvaro Uribe. O estudo de Calvo Ospina fornece uma grande riqueza de dados históricos e empíricos que ilumina a peculiar combinação colombiana da característica política eleitoral de uma democracia capitalista ocidental e o expurgo permanente da sociedade civil e política das ditaduras totalitárias.


    Ao contrário da maior parte dos países latino-americanos, a Colômbia nunca passou pela modernização do seu sistema político. Desde o século XIX os partidos Liberal e Conservador dirigidos pelas oligarquias urbanas e rurais controlaram o processo político através da violência e do clientelismo."

    O nascimento da UNASUL (União das Nações Sul-Americanas) e seus desafios - por Roberto Romero


    Escopeta não é Chocalho - por José Luís Fiore.


    "A reativação da IV Frota Naval dos Estados Unidos, na zona do Atlântico Sul, provocará uma mudança radical e permanente, nas relações militares dos EUA com a América Latina. Ela ocorre no momento que está em curso uma nova "corrida imperialista" entre as grandes potências, que lutam por sua segurança alimentar e energética, exatamente como ocorreu no início do século XX".


    Pior que a crise de 1929? - por Alejandro Nadal


    Pior que a crise de 1929 (segunda parte) - por Alejandro Nadal


    Impedir a guerra imperialista na América Latina - Por Ivan Pinheiro


    Raposa serra do sol: Questão de justiça - por frei Beto


    Ossétia do sul: Comessou a guerra - por Andrei areshev


    O ataque à Ossétia e a classe dominante Russa - por guriya Murklinskaya


    Geórgia: Declaração oficial do governo de Cuba - por Raul Castro Ruz


    Cumplicidade no genocídio - por Andrei Areshev


    Bolívia: intervenção ou morte - por Luis Eça (jornalista brasileiro).


    Philip Goldbergh, o embaixador expulso.Desafios para Evo Morales  - Entrevista de James Petras à rádio centenário uruguaia


    En Bolivia vale más la muerte de un indio que la de una docena de oligarcas que algún día deberán derramar su sangre/ Entrevista al sociólogo norteamericano Prof. James Petras para reflexionar sobre los hechos en Bolivia y Venezuela. “estoy muy preocupado por los eventos que se suceden tanto en Bolivia como en Venezuela, así como otros indicadores de lo que se está preparando para Paraguay, en este nuevo avance, esta agresión del gobierno de Bush, que en los últimos tiempos ha largado una nueva ofensiva en los conflictos en los lugares donde ha sufrido las peores derrotas”.

     

    Desenho de Carlos Latuff

    ESPECIAL BOLÍVIA -  Por  jornal  Brasil de Fato   


    ESPECIAL BOLÍVIA II - por telesul TV


    Centro de mídia independente da Bolívia


    MILITARIZAÇÃO ESTADUNIDENSE NA AMÉRICA LATINA - por Visiones alternativas (sistema informativo para América Latina e Caribe).


     

    Declaración UNASUR en respaldo al pueblo boliviano

    Declaração final da UNASUL - os 9 pontos (clique também nas imagens acima, "DECLARAÇÃO FINAL DA UNASUL", ou abaixo, "TESTEMUNHOS DO MASSACRE",  para assistir aos vídeos)


     

    Bolivia  Testimonios de la masacre

    TESTEMUNHOS DO MASSACRE

    Bolívia: Fascismo toma o poder – Morales queixa-se , por James Petras, 19/Set

    Conclusões de James Petras em sua análise: "Se há uma lição que Morales pode aprender dos camponseses que foram degradados e chicoteados na ruas de Santa Cruz, dos sindicalistas que foram queimados nas sedes dos seus sindicatos e nas suas casas em Pando e dos vendedores de rua que foram expulsos dos mercados em Tarija é que não se pode 'fazer acordos' com fascistas. Não se derrota o fascismo através de eleições e concessões aos seus pagadores, os que possuem a grande propriedade."

     



    Escrito por João Martins às 03h28
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    MICROPOLÍTICA, MOLECULARIZAÇÃO DO FASCISMO, NOVAS MÁQUINAS DE GUERRA E FORMAS DE RESISTÊNCIA

     QUANDO AS CORPORAÇÕES DE MÍDIA DOMINANTES ENTRAM EM DISPUTA PARA ESPETACULARIZAR A REALIDADE COTIDIANA, COMO NO CASO ISABELLA, NO BRASIL DE HOJE, PREPAREM-SE PARA O QUE PODERÁ VIR PELA FRENTE, SOBRETUDO NA CRIMINALIZAÇÃO DO COTIDIANO DO POBRE E DAS RELAÇÕES DE GÊNERO & CLASSE CONTRA UMA PERSPECTIVA SÓCIO-ECOLÓGICA DAS RELAÇÕES SOCIAIS. É A BARBÁRIE DA SOCIEDADE DO "CONTROLE" MACRO E MICRO FASCISTA. VEJAMOS:

    Desenho de Carlos Latuff.

    ACOMPANHE DEBATE NO BLOG DE MARCELO SALLES - " O PIOR DOS CAVEIRÕES É A MÍDIA"

     

    1 - Introdução à vida não fascista

     Preface in: Gilles Deleuze e Félix Guattari. Anti-Oedipus: Capitalism and Schizophrenia, New York, Viking Press, 1977, pp. XI-XIV. Traduzido por wanderson flor do nascimento.

     Durante os anos 1945-1965 (falo da Europa), existia uma certa forma correta de pensar, um certo estilo de discurso político, uma certa ética do intelectual. Era preciso ser unha e carne com Marx, não deixar seus sonhos vagabundearem muito longe de Freud e tratar os sistemas de signos - e significantes - com o maior respeito. Tais eram as três condições que tornavam aceitável essa singular ocupação que era a de escrever e de enunciar uma parte da verdade sobre si mesmo e sobre sua época.

            Depois, vieram cinco anos breves, apaixonados, cinco anos de júbilo e de enigma. Às portas de nosso mundo, o Vietnã, o primeiro golpe em direção aos poderes constituídos. Mas aqui, no interior de nossos muros, o que exatamente se passa? Um amálgama de política revolucionária e anti-repressiva? Uma guerra levada por dois frontes - a exploração social e a repressão psíquica? Uma escalada da libido modulada pelo conflito de classes? É possível. De todo modo, é por esta interpretação familiar e dualista que se pretendeu explicar os acontecimentos destes anos. O sonho que, entre a Primeira Guerra Mundial e o acontecimento do fascismo, teve sob seus encantos as frações mais utopistas da Europa - a Alemanha de Wilhem Reich e a França dos surrealistas - retornou para abraçar a realidade mesma: Marx e Freud esclarecidos pela mesma incandescência.

            Mas é isso mesmo o que se passou? Era uma retomada do projeto utópico dos anos trinta, desta vez, na escala da prática social? Ou, pelo contrário, houve um movimento para lutas políticas que não se conformavam mais ao modelo prescrito pela tradição marxista? Para uma experiência e uma tecnologia do desejo que não eram mais freudianas? Brandiram-se os velhos estandartes, mas o combate se deslocou e ganhou novas zonas.

            O Anti-Édipo mostra, pra começar, a extensão do terreno ocupado. Porém, ele faz muito mais. Ele não se dissipa no denegrimento dos velhos ídolos, mesmo se divertindo muito com Freud. E, sobretudo, nos incita a ir mais longe.

           Seria um erro ler o Anti-Édipo como a nova referência teórica  (vocês sabem, essa famosa teoria que se nos costuma anunciar: essa que vai englobar tudo, essa que é absolutamente totalizante e tranquilizadora, essa, nos afirmam, “que tanto precisamos” nesta época de dispersão e de especialização, onde a “esperança” desapareceu). Não é preciso buscar uma “filosofia” nesta extraordinária profusão de novas noções e de conceitos-surpresa. O Anti-Édipo não é um Hegel pomposo.  Penso que a melhor maneira de ler o Anti-Édipo é abordá-lo como uma “arte”, no sentido em que se fala de “arte erótica”, por exemplo. Apoiando-se sobre noções aparentemente abstratas de multiplicidades, de fluxo, de dispositivos e de acoplamentos, a análise da relação do desejo com a realidade e com a “máquina” capitalista contribui para responder a questões concretas. Questões que surgem menos do porque das coisas do que de seu como. Como introduzir o desejo no pensamento, no discurso, na ação? Como o desejo pode e deve desdobrar suas forças na esfera do político e se intensificar no processo de reversão da ordem estabelecida? Ars erotica, ars theoretica, ars politica.

            Daí os três adversários aos quais o Anti-Édipo se encontra confrontado. Três adversários que não têm a mesma força, que representam graus diversos de ameaça, e que o livro combate por meios diferentes.

            1) Os ascetas políticos, os militantes sombrios, os terroristas da teoria, esses que gostariam de preservar a ordem pura da política e do discurso político. Os burocratas da revolução e os funcionários da verdade.

            2) Os lastimáveis técnicos do desejo - os psicanalistas e os semiólogos que registram cada signo e cada sintoma, e que gostariam de reduzir a organização múltipla do desejo à lei binária da estrutura e da falta.

            3) Enfim, o inimigo maior, o adversário estratégico (embora a oposição do Anti-Édipo a seus outros inimigos constituam mais um engajamento político): o fascismo. E não somente o fascismo histórico de Hitler e de Mussolini - que tão bem souberam mobilizar e utilizar o desejo das massas -, mas o fascismo que está em nós todos, que martela nossos espíritos e nossas condutas cotidianas, o fascismo que nos faz amar o poder, desejar esta coisa que nos domina e nos explora.

            Eu diria que o Anti-Édipo (que seus autores me perdoem) é um livro de ética, o primeiro livro de ética que se escreveu na França depois de muito tempo (é talvez a razão pela qual seu sucesso não é limitado a um “leitorado” [“lectorat”] particular: ser anti-Édipo tornou-se um estilo de vida, um modo de pensar e de vida). Como fazer para não se tornar fascista mesmo quando (sobretudo quando) se acredita ser um militante revolucionário? Como liberar nosso discurso e nossos atos, nossos corações e nossos prazeres do fascismo? Como expulsar o fascismo que está incrustado em nosso comportamento? Os moralistas cristãos buscavam os traços da carne que estariam alojados nas redobras da alma. Deleuze e Guattari, por sua parte, espreitam os traços mais ínfimos do fascismo nos corpos.

            Prestando uma modesta homenagem a São Francisco de Sales, se poderia dizer que o Anti-Édipo é uma Introdução à vida não fascista.[1]

            Essa arte de viver contrária a todas as formas de fascismo, que sejam elas já instaladas ou próximas de ser, é acompanhada de um certo número de princípios essenciais, que eu resumiria da seguinte maneira se eu devesse fazer desse grande livro um manual ou um guia da vida cotidiana:

            - Libere a ação política de toda forma de paranóia unitária e totalizante;

            - Faça crescer a ação, o pensamento e os desejos por proliferação, justaposição e disjunção, mais do que por subdivisão e hierarquização piramidal;

            - Libere-se das velhas categorias do Negativo (a lei, o limite, a castração, a falta, a lacuna), que o pensamento ocidental, por um longo tempo, sacralizou como forma do poder e modo de acesso à realidade. Prefira o que é positivo e múltiplo; a diferença à uniformidade; o fluxo às unidades; os agenciamentos móveis aos sistemas. Considere que o que é produtivo, não é sedentário, mas nômade;

            - Não imagine que seja preciso ser triste para ser militante, mesmo que a coisa que se combata seja abominável. É a ligação do desejo com a realidade (e não sua fuga, nas formas da representação) que possui uma força revolucionária;

            - Não utilize o pensamento para dar a uma prática política um valor de verdade; nem a ação política, para desacreditar um pensamento, como se ele fosse apenas pura especulação. Utilize a prática política como um intensificador do pensamento, e a análise como um multiplicador das formas e dos domínios de intervenção da ação política;

            - Não exija da ação política que ela restabeleça os “direitos” do indivíduo, tal como a filosofia os definiu. O indivíduo é o produto do poder. O que é preciso é “desindividualizar” pela multiplicação, o deslocamento e os diversos agenciamentos. O grupo não deve ser o laço orgânico que une os indivíduos hierarquizados, mas um constante gerador de “desindividualização”;

            - Não caia de amores pelo poder.

            Poder-se-ia dizer que Deleuze e Guattari amam tão pouco o poder que eles buscaram neutralizar os efeitos de poder ligados a seu próprio discurso. Por isso os jogos e as armadilhas que se encontram espalhados em todo o livro, que fazem de sua tradução uma verdadeira façanha. Mas não são as armadilhas familiares da retórica, essas que buscam seduzir o leitor, sem que ele esteja consciente da manipulação, e que finda por assumir a causa dos autores contra sua vontade. As armadilhas do Anti-Édipo são as do humor: tanto os convites a se deixar expulsar, a despedir-se do texto batendo a porta. O livro faz pensar que é apenas o humor e o jogo aí onde, contudo, alguma coisa de essencial se passa, alguma coisa que é da maior seriedade: a perseguição a todas as formas de fascismo, desde aquelas, colossais, que nos rodeiam e nos esmagam até aquelas formas pequenas que fazem a amena tirania de nossas vidas cotidianas.

    [1] Francisco de Sales. Introduction à la vie devote (1064). Lyon: Pierre Rigaud, 1609.

    Fonte: http://www.unb.br/fe/tef/filoesco/foucault/

     

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    2 - O RECALQUE DO FEMININO

    "Um dos tantos elementos que nos levaram à crise atual é o recalque do feminino. Feminino não se identifica com mulher. Feminino/masculino é uma determinação de cada pessoa humana, homem e mulher. Feminino é a dimensão de interioridade, de cuidado, de respeito à vida e ao mistério do mundo, que todos devemos desenvolver. As mulheres realizam a seu modo esta dimensão. Mas os homens também a podem realizar, à sua maneira.

    Ocorre que a cultura moderna se assenta sobre o poder. Essa vontade de poder recalcou a dimensão feminina, nos homens, nas mulheres, na sociedade e nas religiões. É uma cultura do trabalho para fora, da exterioridade, do uso do poder-dominação na relação entre os humanos e para com a natureza.

    Então temos uma ciência machista, uma sociedade fundamentalmente masculina e igrejas misógenas. Por isso vivemos num estilo de sociedade pobre, sem a irradiação da “anima”. E as mulheres foram as maiores vítimas deste estilo de vida.

    Ora, as mulheres são mais da metade da humanidade e são as irmãs e as mães da outra metade, quer dizer, dos homens. Como pode ser sã uma sociedade que se assenta sobre a violência sobre os outros, na agressão contra a natureza e na marginalização das mulheres.

    A democracia social e participativa surge como uma palavra–chave no sentido de integrar as diferenças para além do socialismo burocrático e do capitalismo. O ser humano, entendido como um ser de relações, é um ser singular. Um (eu) que ao mesmo tempo está em comunidade (nós). Portanto, pode superar a cultura do eu sem o nós que o capitalismo criou, e também a cultura do nós sem o eu que o socialismo burocrático produziu com o coletivismo. A participação, a igualdade, a diferença e a comunhão são as quatro pernas que juntas compõem o novo sonho de uma humanidade comunitária, participativa, solidária e espiritual.

    Esta democracia aberta terá mais possibilidade de integrar a dimensão do feminino nas pessoas e na cultura. As mulheres então, poderão estar em pé de igualdade com os homens; juntos, homens e mulheres assumirão, cada qual com sua diferença, a totalidade das tarefas familiares e públicas. Não o sexo mas a pessoa será o valor de referência.

    Por causa da participação pública da mulher, certamente, acontecerão mais cuidado, ternura e proteção com referência à vida e à vida dos seres mais fracos ou penalizados pela natureza e pela história. Por causa da superação do machismo e da integração do feminino, haverá menos conflitos desestruturadores das relações humanas e cósmicas".

    Leonardo Boff. 

     

    CLIQUE NA IMAGEM ACIMA

    3 - GUERRA DOS GÊNEROS & GUERRA AOS GÊNEROS - POR SUELY ROLNIK

    "No visível, o óbvio: uma guerra entre identidades sexuais, lutando por seus interesses; especialmente o assim chamado gênero feminino oprimido em luta contra o assim chamado gênero masculino, seu opressor."

    Resumo 
      
    A guerra dos gêneros é abordada no sentido macro e micropolítico. A macropolítica
    concerne a realidade individual e coletiva enquanto representação, cujas figuras
    definem identidades e suas classificações dualistas - por exemplo, a classificação em
    gêneros. A micropolítica concerne a mesma realidade, mas enquanto multiplicidade
    de fluxos, cujas composições engendram as transformações de suas figuras e,
    portanto, de identidades e gêneros. Se a guerra dos gêneros, do ponto de vista
    macropolítico,  é condição para que o gênero oprimido conquiste igualdade de
    direitos e dignidade, já do ponto de vista micropolítico ela implica o risco de uma
    redução das subjetividades ao gênero, o que pode brecar os processos de mudança. É
    sugerido que ao lado da guerra macropolítica dos gêneros seja travada uma guerra
    micropolítica contra tal tendência redutora. A marca da antropofagia virtualmente
    presente nas subjetividades brasileiras as tornaria potencialmente aptas para levar
    este segundo tipo de guerra. 



    Escrito por João Martins às 19h12
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    FONTES ALTERNATIVAS PARA INFORMAÇÕES SOBRE OS CONFLITOS NA COLÔMBIA E A BUSCA DE UM ACORDO HUMANITÁRIO

    Clique com o botão direito do rato para descarregar.

    UMA PERSONAGEM SOMBRIA

    Esta biografia, com 260 páginas, é o resultado do trabalho de investigação de Joseph Contreras, correspondente da revista. Newsweek. Ela revela a trajetória de um indivíduo que se guindou do narcotráfico à presidência da Colômbia.
    Para descarregar o livro (em castelhano) clique aqui com o botão direito do rato e faça Save As... (PDF, 1216kB).

    O QUE É O PLANO COLÔMBIA - VEJA AQUI EM VISIONES ALTERNATIVAS


     COLÔMBIA E O ESCÂNDALO DA PARAPOLÍTICA E DO PARAMILITARISMO - VEJA AQUI POR TELESUL


     OS PASSOS PARA UM ACORDO HUMANITÁRIO - VEJA AQUI POR TELESUL


     ACORDO HUMANITÁRIO EM VÍDEOS - POR TELESUL


     ACORDO HUMANITÁRIO EM FOTOS - POR TELESUL

     

    Por Venezuela em vídeos -  guerra falsa contra as drogas feita pela DEA/CIA - Documentário com duração de 20 min. Trata-se de um depoimento de Michael Levine (ex-agente da DEA e autor de "A guerra falsa, contra ataque, e operação secreta").


     

    ARTIGOS SELECIONADOS:

    Raúl Reyes (Chefe da Comissão Internacional, Montanhas da Colômbia, Setembro de 2007) - CARTA ABERTA DAS FARC AOS REPRESENTANTES DOS GOVERNOS DO MUNDO

    JAMES PETRAS (SOCIÓLOGO AMERICANO) - "As Farc são o movimento guerrilheiro camponês mais antigo e mais importante do mundo"

    JAMES PETRAS - "AMÉRICA LATINA: QUATRO BLOCOS DE PODER"

    JAMES PETRAS - Carta aberta ao Presidente Sarkozy
    Sobre a troca humanitária de presos políticos na Colômbia e nos EUA

    James Petras, 19/Mar - FARC-EP: O custo de iniciativas humanitárias unilaterais

    IVÁN MÁRQUEZ - (INTEGRANTE DO SECRETARIADO DAS FARC, ENTREVISTADO POR AGÊNCIA BOLIVARIANA DE IMPRENSA ABP) - A PUNHALADA MISERÁVEL DE URIBI


    EMIR SADER - "UMA OUTRA COLÔMBIA É POSSÍVEL"

    EMIR SADER - "ESQUERDA E DIREITA NA AMÉRICA LATINA"

    EMIR SADER - O MANDATO DE SANGUE DE URIBE

    ALBERTO PINZÓN SÁNCHEZ - Colômbia: O conceito de fricção

    JAIME CAICEDO (secretário do partido comunista colombiano) - Colômbia: Há que superar a psicose belicosa

    Eduardo Anguita - Las FARC ¿Una fuerza beligerante?

     


     PRIMEIRO ENCONTRO - Movimiento Mexicano de Solidaridad con las Luchas del Pueblo Colombiano - Cidade do México, 11 de Março de 2007 -

     DECLARAÇÃO FINAL


     SITE DA GUERRILHA COLOMBIANA - WWW.FARCEP.ORG

    RODRIGO GRANDA - OS FINS E OS MEIOS - Da publicação suíça solidaritéS. "Em Havana, no passado dia 24 de Julho, o nosso jornal conseguiu uma entrevista exclusiva com Rodrigo Granda, membro da Comissão Internacional das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP), sequestrado na Venezuela pela polícia secreta colombiana, encarcerado, e finalmente libertado a pedido de Nicolas Sarkozy. Ele permite-nos compreender melhor as posições desse movimento político-militar que há 43 anos combate o regime da oligarquia colombiana, sustentada pelos Estados Unidos".

     

     
    MANIFESTO DAS FARC
    SETEMBRO DE 2007
    POR SECRETARIADO DE ESTADO MAIOR CENTRAL DAS FARC
     
     


     POR CMTE. RAÚL REYES - "O PRESIDENTE ÁLVARO URIBE SERÁ RECORDADO COMO MAFIOSO, PARAMILITAR, BUFÃO, GROSSEIRO, CALUNIADOR E MENTIROSO A TODA A PROVA, TANTO NA COLÔMBIA COMO NO RESTO DO MUNDO".

     

    A MARCHA EM DIREÇÃO AO TERCEIRO MANDATO - POR IVÁN MÁRQUEZ E RODRIGO GRANDA [*]

    "A palavra-de-ordem deve ser "troca humanitária e paz na Colômbia", como clamam os familiares dos prisioneiros de guerra em poder das partes contendoras. O caminho do intercâmbio humanitário é a evacuação (despeje) militar de Pradera e Florida. Se o sofrimento do cativeiro prolongou-se injustificavelmente por cinco anos foi devido à desumana intransigência e o orgulho vão do Presidente Uribe, que além disso burlou-se de todas as mediações e pisoteou a mais eficaz, a do Presidente Chávez".

    Montanhas da Colômbia, 31 de Janeiro de 2008

    [*] Integrantes do Secretariado das FARC.

    O original encontra-se em Resumen Latinoamericano


    A tradução deste artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

     

    AS HIENAS MITRADAS - POR RODRIGO GRANDA (DIRIGENTE DAS FARC)

    Raul Reyes durante uma visita à Europa.

     

    A última entrevista do Comandante Raúl Reyes

    por Aníbal Garzón & Ingrid Storgen

    "O Comandante Raúl Reyes tombou no dia 1 de Março de 2008, juntamente com 17 guerrilheiros das FARC-EP. Caíram vítimas do bombardeamento da Força Aérea Colombiana que destruiu o seu acampamento, ao Sul do Rio Putumayo. Esta acção confirma a criminalidade do governo fascista de Uribe, que tudo faz para sabotar saídas pacíficas para a situação colombiana. Ao recusar todas as gestões para a troca de prisioneiros de guerra e apostar tudo na solução militar o governo uribista põe em risco a vida dos prisioneiros e agrava a situação. O humanismo das FARC demonstrou-se no facto de – para libertarem prisioneiros e cumprirem a promessa feita ao Presidente Chávez – se terem arriscado a que os seus acampamentos fossem localizados através da espionagem electrónica das suas comunicações e dos satélites-sensores do imperialismo. Este risco foi excessivo, como agora se viu.
    A entrevista que se segue foi a última concedida pelo Cmte. Raúl Reyes, na ante-véspera da sua queda em combate. Resistir.info presta homenagem a esta grande figura histórica de dimensão internacional".

     "Uribe: não semeies outro Israel na América do Sul" - por Matilde Sosa
     
    URIBE, INSTRUMENTO DOS EUA NA AMÉRICA DO SUL - POR EDITORIAL DO LA JORNADA 
     
    HONRA E GLÓRIA ETERNA AO COMANDANTE RAÚL REYES! - POR FARC-EP (O comandante Joaquín Gómez substitui Raúl Reyes no seu posto no Secretariado)
     
    "Pela Nova Colômbia, a Pátria Grande e o Socialismo: Nem um passo atrás!
    Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP
    Montanhas da Colômbia, 2 de Março de 2008".

     

     VÍDEOS SOBRE A GUERRILHA. EM DESTAQUE:

    "GUERRILLERA"

     O filme documentário mostra a história do ingresso e treinamento de uma jovem, Isabel, nas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Este documentário, do dinamarquês Frank Poulsen, tem 01h14m de duração e foi filmado num acampamento na selva colombiana. Ele descreve a difícil transição de uma vida normal para as fileiras das FARC e o árduo treinamento que Isabel tem de enfrentar. "As pessoas perguntam-se porque Isabel deixou tudo para trás a fim de se unir às FARC", considera o realizador do filme. E responde: "Bem, o presidente da Colômbia é um narcotraficante. O seu regime assassina as pessoas que se atrevem a criticar a sua política". Assim, conclui Poulsen, "seria melhor perguntar: o que fazemos nós ao apoiar este tipo?"


     

    OUTROS VÍDEOS - VEJA A ORIGEM DAS FARC E O VÍDEO SOBRE O SEQÜESTRO DE DEPUTADOS NO PARLAMENTO COLOMBIANO,AQUI

     

    ORIGENES DE LAS FARC

    Origem das Farc

    "Pelicula filmada en 1965 por los franceses Jean Pierre Serget y Bruno Muel en homenaje a Hernando Gonzales Acosta, universitario y dirigente de la Juventud Comunista. Hernando murió en una emboscada realizada por el Ejército en Riochiquito el 22 de Septiembre de 1965 cuando regresaba de la misión de sacar vivos del sitio de los combates a los documentalistas franceses. Este documento nos remonta a los orígenes de las FARC-EP. Duração: 19:49".

     

    POR EL CANJE   DIPUTADOS DE CALI

    Deputados de Cali

    "Documental que versa sobre la retención de los Diputados de la Asamblea del Valle del Cauca el 11 de abril del 2002. Queremos darles a conocer este material para comprender la dimensión real del conflicto político, social y armado que sufrimos los colombianos.Todas las imagenes de este video hacen parte de la filmación realizadas por camarógrafos de las FARC-EP durante las fases de preparación y ejecución del operativo que culminó con la retención de los 12 diputados de la Asamble del Valle del Cauca. Duração: 14:30".

     

    CHAVEZ AFIRMA QUE AS FARC NÃO SÃO TERRORISTAS
    O Presidente Hugo Chavez, da Venezuela, afirmou dia 11 que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e o Exército de Libertação Nacional (ELN) não são grupos terroristas e solicitou aos governos latino-americanos e europeus que os retirem da lista de grupos terroristas. Hugo Chavez considerou que tal classificação só foi imposta às FARC e ao ELN por pressão do governo imperialista dos Estados Unidos. "Quem pode pensar em algum acordo de paz na Colômbia se não há contato entre as partes enfrentadas?", perguntou o Presidente venezuelano.
    Clique em http://www.youtube.com/watch?v=TOtROmsqyXQ para ouvir o discurso.

     

    DESDOBRAMENTOS:

    ENCONTRO LATINO-AMERICANO CONTRA O TERRORISMO MIDIÁTICO

    "Jornalistas, comunicadores e estudiosos da comunicação da América Latina, Caribe e Canadá, reunidos em Caracas neste Primeiro Encontro Latino-Americano contra o Terrorismo Mediático, denunciam o uso da falsificação pela transnacionais informativas como uma agressão maciça e permanente contra os povos e governos que lutam pela paz, pela justiça e pela inclusão.

    O terrorismo mediático é a primeira expressão e condição necessária do terrorismo militar e económico que o Norte industrializado emprega para impor à Humanidade sua hegemonia imperial e seu domínio neocolonial. Como tal, é inimigo da liberdade, da democracia e da sociedade aberta e deve ser considerado como a peste da cultura contemporânea.

    A nível regional o terrorismo mediático utilizado como arma política no derrube de governos democráticos de países como a Guatemala, Argentina, Chile, Brasil, Panamá, Granada, Haiti, Peru, Bolívia, República Dominicana, Equador, Uruguai e Venezuela, está a ser empregado hoje para sabotar qualquer acordo humanitário ou saída política do conflito colombiano e para regionalizar a guerra na zona andina."


     


     



    Escrito por João Martins às 16h09
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    ESTA PUBLICAÇÃO É DE 14-11-2007

    Pan_caveirao

    DA CHACINA DO PAN, NO COMPLEXO DO ALEMÃO, AO TROPA DE ELITE E CHACINA DA CORÉIA. E O QUE ENSEJA UM TERCEIRO PASSO PARA UMA OFENSIVA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS PELA REFORMA POLÍTICA DO ESTADO BRASILEIRO:

     EM PLENA CRISE INSTITUCIONAL (análise de conjuntura feita pelo sociólogo Pedro A. Ribeiro de Oliveira). 

    As oligarquias contra a democracia - Por Emir Sader

    A violência do estado policial de terror nas favelas do Rio de Janeiro - Veja aqui pela TV Ágora, Argentina, em: "SOBRE MUROS Y FAVELAS" -  Documentário de 64 minutos, produzido pela TV Tagarela da Rocinha, com depoimentos de moradores, mães de adolescentes assassinados,  lideranças locais, além da participação de Marcelo Freixo (Justiça Global) e Vera Malagute Batista, dentre outros.

    VER ABAIXO O DESTAQUE DADO POR  MARCELO SALLES  AO COMENTÁRIO QUE FIZ EM SEU BLOG, NO JORNAL FAZENDO MEDIA.

    Clique no link em vermelho e role a página do blog de Marcelo Salles, para ler na íntegra, todos os comentários que fiz no debate sobre o filme "Tropa de Elite" e o terrorismo de estado, e paramilitar midiático, praticado no Rio de Janeiro nessa escalada macro e microfascista.

    MATA-mídia-MATA
    18.10.2007 | 02h20 | Comentários (26)

    " O comentário de João Martins na nota "Ainda a Tropa de Elite", logo abaixo, jogou luz sobre a política de repressão contra os espaços populares. Vejam o que ele disse:

    Marcelo, aqui no condomínio onde moro, crianças que antes brincavam de bola na quadra agora estão brincando de pelotão do Bope gritando aquelas palavras de ordem: "homem de preto, qual é sua missão? É entrar na favela e deixar corpo no chão". Estou aguardando o momento em que aparecerão crinças brincando com um caveirinha e enterrando corpos de favelados em covas coletivas. Tudo distribuido como brinquedos educativos, porque o povo "quer", e não porque há uma indução semiótica sistemática, do senso comum, para reivindicar no Rio de Janeiro a guerra falsa contra as drogas feita pela DEA/CIA, e a extensão para cá do já desmoralizado PLANO COLÔMBIA com sua narco-parapolítica e narco-paramilitarismo genocida como plano de "segurança democrática". Tudo isso está sendo feito para "libertar" os brasileiros que ainda vivem sob a ditadura: a versão local da globalização da guerra preventiva contra os "inimigos" da "democracia" tal qual é feito no Iraque e na Palestina. Tudo está enfiado num mesmo saco, e de um modo espetacular no fluxo alucinante das imagens que entorpecem o espectador desatento aos conteúdos de banalização do mau que são introduzidos na mente dos espectadores, desinformando e desumanizando sistematicamente.

    Daí você explica a série de reportagens publicada pelo Globo sobre "os brasileiros que ainda vivem sob a ditadura". Na lógica do jornalão, esses que ainda vivem na ditadura são os que vivem nos espaços populares. E por viverem sob esta condição devem ser "libertados". Como? Pelas técnicas do Bope. É bom deixar claro que os jornalistas que fizeram a matéria estão de parabéns, como já escrevi aqui, por emplacar a série que, mal ou bem, deu outro tratamento para a questão da violência policial na cidade. Entretanto, não dá pra ser ingênuo de acreditar que o dono do jornal ficou bonzinho da noite para o dia. Não. É claro que ele tem seus interesses, e o comentário do João aí em cima enseja um bom exemplo.

    Aproveitando o tema, quero dizer que hoje participei de um debate sobre o filme Tropa de Elite, promovido pelo Grupo Tortura Nunca Mais. Cecília Coimbra, atual presidente da entidade, disse o seguinte: "Não me interessa saber quais foram as intenções dos autores, e sim os efeitos que estão causando. E os efeitos, como as brincadeiras que as crianças estão fazendo de torturar os colegas e os aplausos de grande parcela da população, mostra que a maioria está apoiando a tortura e a execução sumária". Cecília também criticou muito o fato de o filme trabalhar para a naturalizar a existência de uma guerra no Rio de Janeiro. "Assim se justifica tudo", afirmou a professora de psicologia da UFF, que também sublinhou que Tropa de Elite não é apenas reprodutor de uma realidade dada, mas é também um produtor de realidade. E, por fim, disse: "É um filme a favor da morte". O Tortura Nunca Mais estuda entrar com representação no Ministério Público por considerar que Tropa de Elite faz apologia ao crime, à tortura e à execução sumária.

    Tive a sorte de retornar a Niterói ao lado da professora de história da UFF e nossa colunista Adriana Facina, ocasião em que pudemos desenvolver um pouco mais a discussão (o tempo de viagem do Rio a Niterói é de aproximadamente 40 minutos). Ela lembrou que, hoje, o sistema neoliberal precisa encontrar formas de lidar com uma parcela da população que não se enquadra mais no tradicional exército de reserva. Estamos falando de uma população excedente, que precisa ser controlada de alguma forma. Assim, como essa classe dominante não consegue impor seus consensos de forma absoluta - pois sempre há linhas de fuga, mesmo frente à homogeneização da cultura e da mídia - ela lança mão de estratégias de terror, justamente contra a população que mais sofre os efeitos perversos do neoliberalismo (notadamente a negligência do Estado nas áreas de saúde e educação, entre outras, mas sobretudo os salários de fome).

    Nesse sentido, o jurista argentino Raúl Zaffaroni afirma que esse sistema "vende a ilusão de que se obterá mais segurança urbana contra o delito comum sancionando leis que reprimam acima de qualquer medida os raros vulneráveis e marginalizados tomados individualmente e aumentando a arbitrariedade policial, legitimando direta ou indiretamente todo gênero de violência". E o professor continua, num raciocínio que bate com aquilo que venho dizendo há muito tempo (que as corporações de mídia estimulam a violência): "Com isso, não apenas se magnifica a insegurança como também, ao proclamar a existência de uma pretensa impunidade ou leniência generalizada, lança-se uma metamensagem que incita publicamente os excluídos ao delito, assumindo o efeito de uma profecia auto-realizada; a mensagem, longe de ser indiferente à criminalidade comum, em tempos de desemprego, exclusão social e carência de projetos existenciais, passa a ter claros efeitos reprodutores". O fotógrafo Oliviero Toscani diz a mesma coisa de modo mais simples: "A mídia estimula a delinqüência porque cria objetos de desejo e os divulga para todos, embora apenas uma pequena parte possa comprá-los". Daí a se matar e morrer por um Nike - ou um Rolex.

    É disso que estamos falando. De um sistema extremamente perverso e muito bem articulado entre Estado neoliberal e corporações privadas (a mídia em primeiro lugar) a serviço da manutenção de uma ordem que violenta os trabalhadores em nome do luxo de uma meia dúzia.

    PS: Chego, ligo a televisão no Jornal da Globo e vejo imagens estarrecedoras. A repórter, como sempre, se esforça para justificar a matança. Mas dessa vez a situação é tão absurda, mas tão absurda, quem nem o reacionaríssimo JG consegue esconder o constrangimento - fica latente nas entrelinhas. As imagens são brutais: um helicóptero da polícia persegue dois rapazes, sem qualquer chance de reação, que correm ladeira abaixo tentando se esquivar de um verdadeiro fuzilamento a céu aberto. Parece uma cena de guerra, com a diferença de que NÃO estamos em guerra. Além dos dois rapazes, outras dez pessoas foram assassinadas durante uma operação da CORE (O Bope da Polícia Civil) ontem na favela da Coréia, em Senador Camará, na Zona Oeste do Rio de Janeiro". Veja a matéria do JG aqui.



    Escrito por João Martins às 20h53
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