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A CARTA DA TERRA
http://www.cddh.org.br/
O CDDH Petrópolis tem o prazer de anunciar o lançamento do “Projeto Carta da Terra”. Composto de uma cartilha e um vídeo VHS (vendidos separadamente), este kit é uma parceria entre Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis, o Ministério do Meio Ambiente e Itaipu Binacional. Seu objetivo é difundir este documento fundamental, que busca conscientizar os povos de todo o mundo para um novo sentido de desenvolvimento sustentável, com respeito e responsabilidade, pelo bem da própria humanidade e das demais espécies do planeta. Adquirindo a cartilha ou o vídeo, você está contribuindo para os diversos projetos sociais
• O que é A Carta da Terra? A Carta da Terra é uma síntese de valores, princípios e aspirações amplamente debatidos. Parte de uma visão integradora e holística, considerando a pobreza, a degradação ambiental, a injustiça social, os conflitos étnicos, a paz, a democracia e a crise espiritual como problemas interdependentes. Como afirmam seus formuladores: “A Carta da Terra está concebida como uma declaração de princípios éticos fundamentais e como um roteiro prático, de significado duradouro, amplamente compartido por todos os povos. De forma similar à Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Carta da Terra será utilizada como um código universal de conduta para guiar os povos na direção de um futuro sustentável." Foi aprovada no dia 14 de março de 2000 na Unesco, em Paris, depois de 8 anos de discussões em todos os continentes, envolvendo 46 países e mais de cem mil pessoas, desde escolas primárias, esquimós, indígenas da Austrália, do Canadá e do Brasil, entidades da sociedade civil, até grandes centros de pesquisa, entidades religiosas, universidades e empresas . Alguns membros da Comissão de Redação: Mikhail Gorbachev (Rússia), Maurice Strong (Canadá), Paulo Freire e Leonardo Boff (Brasil), Princesa Basma Bint Talal (Jordânia), Madre Tessa Bielicki (Estados Unidos) e Mercedes Sosa (Argentina).
Diferenças Entre Ética e Moral
QUE É ÉTICA, QUE É MORAL
No encaminhamento destas questões, precisamos voltar ao sentido originário da ética e da moralidade. Todas as morais, por mais diversas, nascem de um transfundo comum, que é a ética. Ética somente existe no singular, pois pertence à natureza humana, presente em cada pessoa, enquanto a moral está sempre no plural, porque são as distintas formas de expressão cultural e histórica da ética. Que é ética? A filologia da palavra ética nos serve de orientação para seu sentido originário. Ética vem do grego ethos. Essa palavra se escreve de duas formas: com eta, ( a letra e em tamanho pequeno ) e com o epsílon ( a letra E em tamanho grande ) . Ethos com e pequeno significa a morada, o abrigo permanente seja dos animais ( estábulo ) , seja dos seres humanos ( casa ) . No âmbito da totalidade da Mãe-Natureza ( chamada de physis, filosoficamente, e Gaia, miticamente ) , o ser humano delimita uma porção dela e aí constrói para si uma morada. A morada o enraíza na realidade, dá-lhe segurança e permite a ele sentir-se bem no mundo. Ela não é, de antemão, dada pela natureza, mas tem de ser construida pela atividade humana. Eis a obra da cultura. A morada deve ser cuidada e continuamente retrabalhada, enfeitada e melhorada. Em outras palavras: o ethos não é algo acabado, mas algo aberto a ser sempre feito, refeito e cuidado como só acontece com a moradia humana. Ethos se traduz, então, por ética. É uma realidade da ordem dos fins: viver bem, morar bem. Ética tem a ver com fins fundamentais ( como poder morar bem ) , com valores imprescindíveis ( como defender a vida, especialmente a do indefeso), com princípios fundadores de ações ( dar de comer a quem tem fome ), etc. O centro do ethos ( moradia ) é o bem ( Platão ), pois somente ele permite que alcancemos nosso fim, que consiste em sentirmo-nos bem em casa. E nos sentimos bem em casa ( temos um ethos, realizamos o fim almejado) quando criamos mediações adequadas, como hábitos, certas normas e maneiras constantes de agir. Por elas, habitamos humanamente o mundo, que pode ser a casa concreta, ou o nosso nicho ecológoco local, regional, nacional ou nossa casa maior, o planeta Terra. Para Aristóteles, o centro do ethos ( moradia ) é a felicidade, não no sentido subjetivo moderno, mas no sentido objetivo, como aquele estado de autonomia vivido no nível pessoal e no nível social ( polis ). Poderíamos traduzir essa felicidade/autonomia como a auto-realização do cidadão em sua dimensão pessoal e social. Esse fim, a autonomia, realiza-se por intermédio de mediações, tais como hábitos, virtudes e estatutos jurídicos, que são os caminhos concretos da auto-realização pessoal e societária. Esses meios tambem eram chamados de ethos, mas escrito com E grande (o epsílon, em grego) ele significa os costumes, vale dizer, o conjunto de valores e de hábitos consagrados pela tradição cultural de um povo. Ethos como o conjunto dos meios ordenados ao fim ( bem/auto-realização ) se traduz comumente por moral. Moral ( mos-mores, em latim ) significa, exatamente, os costumes e valores de uma determinada cultura. Como são muitos e próprios de cada cultura, tais valores e hábitos fundam várias morais. Como se depreende, o ethos/moral está sempre no plural, enquanto o ethos/casa está sempre no singular.
COMO SE RELACIONA A ÉTICA COM A MORAL
Ethos com e pequeno ( morada ) e ethos com E grande ( costumes e tradições ) , ou ética e moral, articulam-se intrinsecamente. Os hábitos e os costumes ( ethos/moral ) visam a fazer a moradia humana e o meio social sustentáveis, autônomos e habitáveis ( ethos/ética ) para todos, portanto, bons e produtores de felicidade. Demos um exemplo concreto dessa imbricação entre ética e moral. Para efeito de clareza, vamos usar formulações negativas. Que significa dizer: " essa pessoa não possui ética "? Significa dizer: " essa pessoa não possue princípios, age oportunisticamente, consoante as vantagens que possa auferir; dela não se poderá esperar nenhum comportamento coerente e previsível, porque não possui uma opção fundamental de vida " . Não tem ética, por exemplo, um jornalista que trai seus princípios para fazer, por bom dinheiro, a campanha de um político notóriamente corrúpto. A alegação de que faz um "trabalho profissional" não justifica a traição ética do jornalista ou de qualquer outro profissional. Que significa dizer: "essa pessoa não possui moral"? Significa: "essa pessoa não possui virtudes, mente, engana clientes, rouba dinheiro público, explora trabalhadores, faz violência em casa" . Essa pessoa pode até ter ética ( princípios e valores fundamentais ) mas age em contradição com os seus princípios. Pode ocorrer que a pessoa não possua nem ética nem moral: age aleatoriamente, consoante seus interesses mais imediatos. Não tem princípios e atua consoante as vantagens individuais.
Resumo feito a partir do livro de Leonardo Boff, eTHOs Mundial (Editora-Letraviva).
Escrito por João Martins às 03h07
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